Gestão das resistências antimicrobianas constitui “desafio significativo” para o país – INSP

Cidade da Praia, 24 Nov (Inforpress) – Cabo Verde enfrenta “desafios significativos” na gestão das resistências antimicrobianas, como a coordenação multissectorial eficaz e a vigilância, apesar de “algumas capacidades”, declarou hoje o administrador executivo do Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP).

Hélio Rocha fez estas declarações no âmbito da conversa aberta “Juntos prevenindo a resistência antimicrobiana”, numa abordagem uma só saúde, para marcar a Semana Mundial de Conscientização sobre resistências antimicrobianas, com o intuito de encorajar as melhores práticas para retardar o desenvolvimento e a propagação de infecções resistentes aos medicamentos.

Segundo a mesma fonte, a resistência antimicrobiana, ou a capacidade que os microrganismos desenvolvem para resistir a medicamentos que anteriormente eram capazes de os combater, emergiu como “uma das principais ameaças” à saúde pública do século XXI.

Para este responsável é preocupante notar que as regiões com recursos mais limitados são as mais afectadas por esse desafio da saúde pública, a nível global, lembrando que em 2019 a África subsariana registou a maior taxa de mortalidade mundial devido à resistência antimicrobiana, com 99 mortes por cada 100 mil habitantes.

Cabo Verde, considerou, apesar de algumas capacidades enfrenta “desafios significativos” na gestão das resistências antimicrobianas, salientado que a vigilância eficaz é crucial para tomada de decisões baseadas em evidências, incluindo a elaboração de protocolos de tratamento eficazes.

“Os resultados da avaliação externa conjunta realizada em 2019 indicam baixas pontuações em várias capacidades essenciais como a coordenação multissectorial eficaz, a vigilância das resistências antimicrobianas, prevenção e controlo de infeções e utilização optimizada de medicamentos antimicrobianos”, indicou.

Ao iniciarem este encontro, prosseguiu, são guiados por objectivos “claros e de grande relevância”, em primeiro lugar, buscando aumentar a consciencialização e compreensão sobre a resistência antimicrobiana, e em segundo lugar, para promoverem o uso racional de medicamentos antimicrobianos, para quem o conhecimento é o alicerce de acções mais eficazes.

Na mesma linha, a vice-presidente da Ordem dos Farmacêuticos de Cabo Verde (OFCV), Heidy Teixeira, sublinhou que actualmente a resistência antimicrobiana é um dos maiores e mais consideráveis problemas de Saúde Pública global, potencializado, principalmente, pelo uso excessivo de antimicrobianos em humanos, animais e na agricultura e pecuária.

O que resulta, alertou, em consequências clínicas “drásticas e preocupantes”, comprometendo a eficácia da prevenção e do tratamento de um número cada vez maior de infecções causadas por micro-organismos, sejam elas vírus, bactérias, fungos ou parasitas.

Referindo-se a dados da OMS de 2021, informou que foram notificados ao sistema global de vigilância de uso de resistência antimicrobiana três milhões de casos de infecções, que apresentaram resistência antimicrobiana, lembrando que  a doença prolongada, a necessidade de mais testes e uso de medicamentos mais caros aumentam o custo dos cuidados de saúde para pacientes com infecções resistentes.

Por sua vez, a indústria farmacêutica, apontou, enfrenta um grande desafio para o desenvolvimento constante de novos medicamentos, tratamentos, estratégias terapêuticas, a fim de sanar este grave problema de saúde, afirmando que superar a resistência antimicrobiana é uma responsabilidade de todos.

ET/AA

Inforpress/Fim

 

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