Fogo: Olavo Correia discute com autarcas criação da agência para promover investimento privado na ilha

São Filipe, 05 Jan (Inforpress) – A criação de uma agência para a promoção de investimento privado para a ilha e a transformação do Fogo num centro de produção agroindustrial foram alguns dos temas abordados entre o vice-primeiro-ministro e os presidentes das câmaras.

O encontro, que decorreu nas instalações do Paços do Concelho dos Mosteiros, classificado pelo vice-primeiro-ministro e ministro de Finanças, Olavo Correia, de “muito produtiva e útil”, permitiu às partes analisarem o futuro da ilha do Fogo que vai estar ancorado na Zona Económica Especial, com epicentro no vulcão.

A ideia é garantir as condições para desenvolver um turismo sustentável e ligado ao ambiente e à natureza, com a marca do vulcão, mas também desenvolver as indústrias criativas, segundo os protagonistas do encontro.

O vice-primeiro-ministro defendeu a necessidade de se ter todas as capacidades da ilha a nível da água para uma agricultura ancorada na transformação agroindústria para produzir e exportar, assim como o desenvolvimento das indústrias criativas e dos eventos em que a ilha tem potencial enorme.

“É essencial continuar a investir na pesca e economia azul para criar emprego e produzir para o mercado nacional e tudo isso requer o investimento privado”, disse Olavo Correia, acrescentando que discutiu com os presidentes das câmaras a possibilidade da criação de uma agência para promoção de investimento privado.

Trata-se, segundo o governante, da criação de uma agência intermunicipal que tenha capacidade para desenvolver conceitos unificados e uma marca para a ilha e com capacidade de mobilizar investimento e ser uma máquina capaz de actuar no plano interno e no plano externo para trazer investidores para a ilha.

Para a transformação da ilha, Olavo Correia defende investimentos nas grandes infraestruturas aeroportuárias, portuárias, saúde, energia, sector da água e saneamento, assim como garantir um bom nível de serviço.

“A ilha para se desenvolver tem de estar conectada com o Eixo Sotavento (Santiago, Maio, Fogo e Brava), mas também com a sua diáspora, sobretudo nos Estados Unidos da América”, disse Olavo Correia, destacando que o desenvolvimento da ilha exige transporte aéreo e marítimo com regularidade, frequência, segurança e qualidade, mas também resolver a questão do porto, aeroporto, energia e capital humano.

Olavo Correia deixou a garantia de que o Governo vai trabalhar um documento estratégico ligado à Zona Económica Especial para a ilha do Fogo, mas também planos de desenvolvimento regional e uma agenda para que a ilha do Fogo se transforme.

O vice-primeiro-ministro lembrou que a transformação não vai acontecer de dia para noite, porque, explicou, é necessário identificar a visão e garantir liderança para implementar e desenvolver o conceito e mobilizar financiamento, o que leva alguns anos.

Durante o encontro, que demorou mais de duas horas, Olavo Correia e os presidentes das câmaras discutiram outros aspectos relevantes como a escassez de inertes, a questão da requalificação da orla de Queimada Guincho, do centro de histórico de São Filipe, de asfaltagem de algumas vias que há necessidade de se fechar.

“O mais importante é que estamos alinhados a nível da visão e do conceito da Zona Económica Especial centrado no vulcão, na transformação da ilha do Fogo num centro de produção agroindustrial e numa ilha que seja capaz de ser pujante em matéria das indústrias criativas e com grande enfoque no capital humano e no investimento privado”, disse Olavo Correia, sublinhando que a agora é desenvolver os instrumentos de gestão para a implementação das várias medidas para o desenvolvimento consistente com o tempo.

O governante lembrou que qualquer agenda tem de ser pensada numa perspectiva de uma década e que anualmente são integrados resultados para que os cidadãos tenham confiança de que as coisas estão a acontecer.

Confrontado com o facto dos projectos vêm se arrastando no tempo, Olavo Correia disse que se trata de uma visão para o futuro da ilha e que a implementação da Zona Económica Especial com epicentro no vulcão vai permitir desenvolver uma marca e imagem para a ilha e possibilitar a criação de um conjunto de benefícios fiscais e parafiscais para atrair o investimento.

“Se queremos transformar a ilha num centro de produção agroindustrial tem de ser com base em empresas privadas e com garantia de serviço adequado a nível dos transportes, aéreos e marítimos, mas também ter capacidade para atrair os investidores”, referiu o governante para quem o fundamental é o alinhamento que existe entre o Governo e as câmaras municipais.

Olavo Correia recordou ainda que existem vários outros projectos que estão na agenda do Governo para a ilha e que está à procura do financiamento para a sua implementação, como a conclusão do anel rodoviário, criação de melhores condições a nível aeroportuárias, a solução para o sector da energia, da água que é fundamental para agricultura e que deve estar disponível e a um preço competitivo.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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