Fogo: “É necessário definir politicas públicas capazes de tornar o processo de morrer mais humano e digno” – PR

São Filipe, 04 Out (Inforpress) – O Presidente da Republica, Jorge Carlos Fonseca, defendeu hoje a necessidade de se definir, no ordenamento jurídico cabo-verdiano, políticas publicas capazes de tornar o processo de morrer “mais humano e mais digno”.

Ao presidir a cerimonia de abertura do encontro internacional sobre “Cuidados paliativos em Cabo Verde”, que decorre na ilha do Fogo, o chefe de Estado disse que os cuidados paliativos surgem como respostas no processo de “recolocar a morte no seu padrão de normalidade” como parte integrante da própria vida, razão pela qual deve ser tratada com a dignidade de que o ser humano é portador e merecedor.

“Os cuidados paliativos assumem-se com o uma ponte entre a vida e a morte, envolvendo não só a pessoa como todos os que lhes são próximos, num processo doloroso, mas que deve ser vivido com toda a dignidade”, disse o Presidente da Republica, defendendo que o tratamento deve ser discutido entre os envolvidos com envolvimento dos profissionais de saúde e os familiares.

Para Jorge Carlos Fonseca, a questão dos cuidados paliativos em Cabo Verde tem um relevo muito grande, porque quase que diariamente se houve falar de pessoas questão com diagnósticos muito desfavoráveis, sobretudo de fórum oncológico, que não obtém a avaliação positiva para serem transferidos para o exterior, o que significa que estes doentes terão de enfrentar o caminho para a morte anunciada nas estruturas hospitalares e com recursos existentes no país.

O ultimo período de vida deve ser assistido por uma equipa interdisciplinar voltada à “totalidade bio-psico-social-espiritual” do doente e de seus familiares e oferecer “uma oportunidade especial de crescimento individual para os cuidadores”, defende Jorge Carlos Fonseca.

Lembrou que este tipo de cuidado deve basear-se em princípios como a necessidade de proporcionar o alivio da dor e sofrimento, afirmar a vida e considerar a morte um processo natural, não adiar ou apressar a morte, oferecer um sistema de apoio aos familiares na doença do paciente e no luto.

Quando existem condições para a criação de um serviço que se dedique a esses cuidados, referiu o Presidente da Republica, esses princípios devem ser apreendidos por todos.

Por isso, a realização desse encontro, sintetizou, constitui um “momento ímpar” na história da saúde em Cabo Verde, indicando que a valorização da dignidade humana terá repercussões nas estruturas de saúde, formulando votos que o resultado dos debates e as conclusões sejam replicado nas diferentes estruturas de saúde.

O director nacional da Saúde, Artur Correia, por seu lado, disse na sessão de abertura que os avanços na prática médica e na tecnologia têm trazido “melhorias significativas” no controlo e tratamento das doenças, indicando que é nesta perspectiva que deve ser encarada a situação e dar respostas quando se esgotam as possibilidades de resgatar as condições de saúde.

“O cuidado paliativo é mais que um método, é uma filosofia do cuida e visa prevenir e aliviar o sofrimento humano em muitas das suas dimensões”, afirmou o director nacional de Saúde.

Como a maioria dos óbitos hospitalares ocorre nas unidades de cuidados intensivos devido a gravidade dos pacientes, torna-se necessário promover mudanças que possam priorizar a comunicação entre os profissionais, pacientes e familiares de modo a tornar o processo menos angustiante para todos, refere aquele responsável do Ministério da Saúde.

Segundo o mesmo é urgente a implementação de protocolos de cuidados paliativos nas unidades de cuidados intensivos baseado na convicção ética de que a vida não pode ser abreviada, nem prolongada inutilmente, e os profissionais devem evitar procedimentos invasivos dolorosos e exames desnecessários.

A coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas, Ana Graça, considerou que os cuidados paliativos é um tema “muito pouco falado e mesmo negligenciado” em muitos países, mas é importante ultrapassar os “tabus” existentes para “melhor humanizar” o tratamento.

O Padre Ottavio Fasano, por seu lado, ao dar as boas-vindas afirmou que a atenção particular do cuidado da pessoa deve compreender e desenvolver uma visão humana, existencial e espiritual particular, destacando a importância do compromisso de todos, sobretudos dos profissionais, chamados a acompanhar os doentes em fase terminal.

Estes devem ter uma forte convicção de que a morte não é o oposto da vida, mas uma das passagens da própria vida, salientando que no acompanhamento é necessário oferecer assistência física, psicológica, moral, espiritual e religiosa de forma a aliviar o paciente que está a passar pela perspectiva da sua morte.

JR/AA

Inforpress/Fim

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