Fogo: Comunidades de Campanas de Baixo e S. Jorge preparadas para a edição 2024 da festa da Banderona

São Filipe, 19 Jan (Inforpress) – As comunidades de Campanas de Baixo e S. Jorge, norte de São Filipe, iniciam sábado, 20 de Janeiro, a edição 2024 da festa da Banderona, a maior festa tradicional da bandeira da ilha.

Este ano a festa da Bandeira na comunidade de Campanas de Baixo decorre de 20 de Janeiro a 12 de Fevereiro, véspera do Carnaval e antevéspera da Quarta-feira de Cinzas e a Banderona de S. Jorge, introduzida a partir de 1995, de 01 a 03 de Fevereiro.

Tradicionalmente a Banderona em Campanas de Baixo começa com a montagem das barracas e o “pilon” (pilão) e termina com o almoço, seguido da passagem da bandeira para o festeiro do ano seguinte.

Dezenas de emigrantes da comunidade de Campanas de Baixo, sobretudo radicados nos Estados Unidos da América, já se encontram na ilha do Fogo para as festas, mas também de outros pontos da ilha com destaque para a zona norte, mas muitos outros estão com passagem confirmada para os próximos dias.

A comunidade celebra a festa de São João Baptista que foi cognominada de Banderona por ser a festa tradicional da Bandeira com maior duração a nível de toda a ilha do Fogo e a segunda, depois da festa da Bandeira de São Filipe, que se celebra entre 25 de Abril e 01 de Maio, que movimenta maior número de pessoas, e tem ganhado expressão nacional e internacional, com regresso de dezenas de emigrantes e pessoas residentes noutras ilhas para esta festa tradicional.

A Banderona ou bandeira de São João Baptista surgiu há mais de dois séculos e conforme reza a lenda “na altura, as pessoas ouviam, no “assobiar” do vento sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de vários dias”, seguidos de relâmpagos e trovões, tendo um raio caído numa ribeira onde habitualmente brincavam algumas crianças da comunidade.

A Banderona tem alguma diferença com outras festas assinaladas no Fogo. A sua figura principal é o “cordidjeru” (governador), que dirige e superintende todas as actividades da festa.

Nela participam cavaleiros, detentores de bandeiras (guardiões das bandeiras e da ordem, paz e harmonia), um juiz que preside, juntamente com o “cordidjeru”, que assegura a votação ou nomeação dos festeiros para a festa do ano seguinte, e um corpo de “coladeiras” integrado por homens e mulheres, acompanhados de “caxerus” (tamboreiros).

Outra figura da festa é a de “refugiado ou ladrão” que é uma espécie de “canisade” que durante a festa só aparece no dia da matança, no último sábado antes do almoço, com intenção de roubar os produtos como carne, mandioca e outros.

Já a banderona de S. Jorge é celebrada nos primeiros três dias do mês de Fevereiro. A sua celebração começou, segundo os festeiros, no ano de 1995, quando Mulato de Campanas de Baixo e um grupo de coladeiras e tamboreiros decidiram transportar a bandeira de São João de Campanas de Baixo para S. Jorge para prestar homenagem a Nhonhô de Caela, membro do grupo que tinha falecido.

Durante a visita e em gesto de solidariedade e amizade, eles compartilharam um lanche simples e a partir da data a banderona de S.Jorge passou a ser comemorada anualmente, tendo sido, ao longo dos anos, festejado por vários descendentes de Nhonhô de Caela.

JR/ZS

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos