Fogo: Autarca acusa governo de se “empenhar premeditadamente” em desacelerar o desenvolvimento da ilha

São Filipe, 02 Nov. (Inforpress) – O presidente da câmara dos Mosteiros, Fábio Vieira, acusou hoje o governo de se empenhar em desacelerar o ritmo de desenvolvimento da ilha do Fogo de forma premeditada.

Fábio Vieira, que convocou a imprensa para questionar o governo sobre o “desconforto generalizado”, disse que a ilha vive em matéria de fornecimento de energia eléctrica uma “tragédia”.

O autarca apelou, por isso, que “ninguém ouse debitar esta desgraça que se abateu sobre a ilha às costumeiras narrativas como avarias, faltas de peça ou outra ficção ilusionista qualquer”, porque, disse, “isso é apenas incompetência, má governação e descaso para com a ilha”.

Para Fábio Vieira, nada justifica que, “ciclicamente a ilha seja confrontada com falta de um bem tão básico” para o seu desenvolvimento, sublinhando que “nada e nenhuma retórica ampara este desleixo e o descaso deste governo que nos retrocede para memorável tempo de crise”.

Segundo o mesmo, o governo fala em debelar a pobreza, aumentar a riqueza nacional, equilíbrios regionais, quando, sublinhou, nos Mosteiros e na ilha vive-se uma crise energética com impactos sérios sobre o sector produtivo e a economia familiar.

“Queremos uma solução séria, duradoira e convergente com os desígnios desta ilha. Se nas próximas 24 horas não vimos resolvida a situação de crise energética sairemos às ruas para manifestar e exigir mais respeito para com o município e com a ilha do Fogo”, avisou o edil dos Mosteiros.

O edil lembrou que a crise no fornecimento de energia tem consequências e prejuízos enormes, inclusive, no abastecimento de água para consumo e higiene e para saúde de qualidade, já que o centro de saúde está sem energia e sem água.

Para Fábio Vieira, Mosteiros aparece de novo como o destinatário das maldades do actual governo, observando que há um descaso ressentido pela população nesta saga de se pretender humilhar ou ignorar os mosteirenses, apontando como exemplo a falta de apoios aos trabalhadores agrícolas, atraso voluntário no financiamento das obras municipais, deixando claro que o município fará um combate firme usando todas as armas da democracia.

“Não há desenvolvimento sustentável, tão pouco crescimento e emprego sem a energia”, disse o edil que denuncia este retrocesso e recuo da ilha no contexto nacional, observando que “não pode ser sempre o Fogo a ser penalizado pelas incompetências de um governo à mingua e que precisa ir embora”.

No dizer do mesmo, a ilha tem que ser capaz de encontrar a luz e afastar esta escuridão que se abateu sobre a ilha, adiantando que a falta de energia é condição para o retorno da pobreza e das desigualdades sociais.

“Mais do que a crise que se vive neste momento de per si gravosa, o governo mostra-se incapaz de aprazer o fim deste sofrimento. A falta de acção para resolver a crise é de uma enorme falta de responsabilidade. Ou o governo age adequadamente e encontra soluções ou devem ser encontradas formas para se expressar as frustrações e preocupações”, disse.

Fábio Vieira apontou várias situações que “configuram o descaso” e que tem provocado uma “degradação, em cascata, de vários indicadores socioeconómicos, de investimentos públicos estruturantes que criam valores, gerem riquezas e cria emprego”.

Apontou como exemplo o “não investimento no processo de asfaltagem das vias municipais, o não alargamento do aeródromo de São Filipe, do porto de Vale dos Cavaleiros, da conclusão do anel rodoviário, da obra de requalificação de Queimada Guincho, construção do cais de Baía de Corvo, investimentos estruturantes e capazes de alavancar o desenvolvimento sustentado da ilha”.

A solução para a crise energética passa, segundo o autarca, pela modernização de toda a rede de distribuição que está obsoleta, os equipamentos, que por falta de manutenção em tempo útil, tornaram-se obsoletos, lembrando que este problema se arrasta desde mês de Março.

“O grande problema que se coloca é a falta de previsibilidade, quando o problema será resolvido, porque isso tem implicações para o comércio, para o turismo, para as famílias que estão a deitar no lixo grande quantidade de produtos”, advogou Fábio Vieira, para quem o governo tem obrigação de realizar investimentos necessários para resolver a situação.

Para o município dos Mosteiros, uma das saídas seria reactivar a central de Ponta Lapa, para em situações do género na Central Única de São Filipe, ter uma central operacional que garanta energia à população, referiu Fábio Vieira, acrescentando que tem havido “fornecimento esporádico” e sem um quadro de previsibilidade e sustentabilidade, lembrando que há zonas com mais de quatro dias sem uma hora de energia eléctrica.

JR/JMV
Inforpress/Fim

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