Fogo: “Alguns dos mecanismos para as áreas protegidas poderiam ser implementados de forma piloto na ilha” – consultor

São Filipe, 06 Ago (Inforpress) – Alguns dos mecanismos que as autoridades estão a propor para as áreas protegidas de Cabo Verde poderiam ser implementados, de forma piloto, na ilha do Fogo, defendeu o consultor do projecto Biotur, Gustavo Bassotti.

O projecto Biotur, em execução há cerca de três anos, é da responsabilidade partilhada entre a Direcção Nacional do Ambiente (DNA) e a Direcção-Geral do Turismo e Transporte (DGTT), com financiamento GEF, Banco Mundial e do PNUD.

O especialista esteve de visita ao Fogo, apesar de a ilha não constar da lista das ilhas contempladas pelo projecto Biotur, da qual fazem parte as ilhas do Sal, Boa Vista, Maio e Santiago, para entender como o turismo e a natureza podem conviver de maneira sustentável.

Gustavo Bassotti disse que as áreas protegidas propõem para o seu desenvolvimento, a criação de um centro de interpretação, “algo parecido” com o centro de informação turística e sede da associação de guias turísticos de Chã das Caldeiras, mas com “mais interpretação e oportunidade de negócios” como alternativa para que a comunidade tenha benefício directo do turismo.

Com o centro, considerou, é “mais fácil” prestar serviços e qualquer pessoa que chegue a área protegida e queira estar dentro dela, tem de pagar uma entrada, o que, explicou, permite fazer uma gestão “mais apropriada” e garantir que o turismo se desenvolva nesta área, gerando fundos para formação, por exemplo, das pessoas que ali trabalham, e que isso seria o primeiro passo.

Segundo o mesmo, a estrutura que existe funciona, mas que do ponto de vista de operação e movimentação turística “é importante ter uma serie de regras”, desde o tratamento do turista nas áreas protegidas, passando pela consolidação do trabalho já realizado.

Para tal, explicou, é necessário escrever as normas de condutas na área protegida, começando pelas boas práticas para os guias e terminando com uma norma oficial, para os taxistas com licença para entrar, como os turistas tenham de comportar com a comunidade local, evitando problemas sociais como drogas, prostituição e problemas com crianças.

Gustavo Bassotti disse que o seu trabalho é ver como fazer para que haja um modelo de trabalho e boas práticas para hotéis e alojamentos, e que os prestadores de serviço turísticos e todos que têm alguma actividade turística seja “o mais sustentável possível” para que as áreas protegidas estejam mais preparadas para atender e receber o turista de forma “mais sustentável”.

O projecto Biotur vai ter um impacto nacional, pese embora o facto de o foco principal encontrar-se nas ilhas do Sal, Boa Vista, Maio e Santiago, indicando que no quadro do seu trabalho quis visitar duas ilhas, sendo uma delas o Fogo, pela importância que o turismo tem e pela sua “beleza e atractividade”, e a outra a ilha de Santo Antão.

“Fogo tem algumas características que são privilegiadas em comparação com outras áreas protegidas e outras ilhas”, disse Gustavo Bassotti, destacando a “beleza colonial”, nomeadamente da cidade de São Filipe, que segundo o mesmo “é a mais bonita de que há em Cabo Verde” e com uma arquitectura “muito atractiva e interessante” para os turistas.

Por outro lado, apontou a visita dentro da área protegida, cuja gestão “é fácil de se fazer” porque há apenas dois pontos de entrada, enquanto noutras ilhas se pode entrar de qualquer ponto.

Outro aspecto destacado é o trabalho já realizado, sobretudo na parte alta da ilha, nomeadamente em Chã das Caldeiras, que já tem uma “certa organização”, não obstante os problemas que ainda existem, o que permite fazer um trabalho mais rápido para o desenvolvimento do turismo.

JR/AA

Inforpress/Fim

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