“Exploração Visual de Paisagens Marítimas” reflecte uma identidade cultural que espero ter conseguido representar minimamente – fotógrafo

Cidade da Praia, 13 Ago (Inforpress) – O fotógrafo português Hermano Noronha considerou hoje que as fotografias das paisagens marítimas das ilhas de São Vicente e de Santiago representam uma identidade cultural e servirão como ferramenta sde trabalho para a investigação do projecto Concha.

Hermano Noronha fez estas considerações em declarações à Inforpress , à margem da sessão de apresentação fotográfica, intitulada “Exploração Visual de Paisagens Marítimas”, na sequência da missão realizada a Cabo Verde no âmbito do Projeto CONCHA – da Cátedra UNESCO – “O Património Cultural dos Oceanos”.

“Este documento que foi feito nesses 21 dias e é um documento de memória da minha passagem por aqui e representa uma identidade cultural que eu espero ter conseguido representar minimamente. São fotografias das ilhas de São Vicente e Santiago, sendo que estrategicamente foi mais incidido sobre Santiago”, explicou.

O objectivo, conforme revelou, é não só fornecer um conjunto de imagem que vão ser utilizadas pelos cientistas do projecto “Concha”, mas também dar mais dignidade às publicações e a parte artística.

“Espero que este documento seja utilizado e que seja do interesse do projecto, no sentido que é também uma ferramenta de trabalho para a investigação, é uma ferramenta em termos de identidade e memória para o futuro uma vez que a fotografia não consegue produzir, ser feita para o passado”, realçou mostrando-se satisfeito com os resultados conseguidos.

Frisou, no entanto, que na fase de sessão fotográfica, a dificuldade fundamental que enfrentou foi a barreira linguística, uma vez que, elucidou, normalmente além de fotografar, faz entrevistas para complementar o trabalho.

Por seu turno, o director de Monumentos e Sítios do Instituto do Património Cultural (IPC), Jaílson Monteiro, destacou a importância de Cabo Verde ter aderido ao projecto Concha, salientando,que esta adesão servirá para promover a valorização do património cultural subaquático do arquipelago.

“Cabo Verde,  ao aderir este projecto Concha de Investigação dos Oceanos,  tem muito a ganhar e já há ganhos conseguidos e têm a ver com colocar na agenda pública a questão de salvaguarda do nosso património subaquático, principalmente a riqueza dos nossos oceanos,  não só no aspecto do património cultural, mas também a biodiversidade que existe no nosso oceano”, afirmou.

E um dos ganhos conseguidos com esse projecto, de acordo com este responsável, tem a ver com a ratificação da convenção de 2001 sobre a salvaguarda do património cultural subaquático.

Apontou, por outro lado, a revitalização do património cultural subaquático, como uma das vantagens do referido projecto, destacando que o foco do IPC tem sido a realização de acções de promoção, formação e capacitação de técnicos nessas áreas.

“O projecto tem essa abrangência de promover a investigação e o foco do projecto Concha tem a ver com a investigação dos portos do atlântico do qual Cabo Verde faz parte e o ponto de investigação desse projecto tem a ver com o seculo XV e XVI e coincide com o período de Cabo Verde na navegação atlântica”, acrescentou.

O projecto CONCHA da Cátedra UNESCO visa desenvolver conhecimentos históricos e patrimoniais, no domínio da investigação, salvaguarda e valorização do legado subaquático.

Com a duração de três anos, o projecto CONCHA explica as diferentes formas pelas quais as cidades portuárias se desenvolveram em torno da borda do Atlântico no final do século XV e início do século XVI em relação aos diferentes ambientes ecológicos e económicos globais, regionais e locais.

Em Cabo Verde, o projecto iniciou-se em, Abril de 2018 , com o primeiro mergulho em arqueologia subaquática no ancoradouro da Baia de Cidade Velha, seguindo-se para a Urânia (Baía do Ilhéu de Santa Maria), e baia de São Francisco, onde foi feito a georreferenciação do local.

Na segunda fase, que decorreu em Agosto do mesmo ano, contemplou-se mergulho e escavação subaquática, recolha e análises de peças.

CM/JMV

Inforpress/Fim.

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