Estudo mostra que mulher cabo-verdiana na cultura de expressão pública “é recente mas com grande dinâmica”

Cidade da Praia, 30 Jan (Inforpress) – A investigadora Catarina Sales Oliveira apresentou hoje, na Praia, um estudo sobre o impacto das mulheres na promoção da cultura cabo-verdiana, revelando que a presença da mulher na cultura de expressão pública “é recente, mas com grande dinâmica”.

A investigadora portuguesa falava aos jornalistas, à margem da conversa aberta intitulada “O papel das mulheres na promoção da cultura cabo-verdiana, com enfoque nos processos de memória e resistência”, promovida no âmbito do projecto europeu Resistance (778076-H2020-MSCA-RISE-2017), que visa explorar, entender e promover a diversidade cultural, com foco particular na contribuição das mulheres para a cultura cabo-verdiana.

O evento serviu também para Catarina Sales Oliveira apresentar parte dos resultados de sua pesquisa, previamente publicada em um artigo na revista científica em Junho de 2023, realizada no âmbito de um projecto europeu sobre memória e resistência, iniciado em 2018 e que envolve a mobilidade de investigadores de vários países do Sul e do Norte.

“Vim a Cabo Verde por interesse no país e por perceber que a história das mulheres, o processo das mulheres ligadas à cultura é algo muito recente e é algo emergente, porque as mulheres estavam na cultura, há muito são as mulheres que fazem a cultura em grande parte, mas a cultura como algo de público, de expressão pública é recente”, explicou a também professora auxiliar do Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior (UBI).

“Basta dizer que o primeiro livro, um de prosa, publicado por uma mulher foi nos anos 90, quando eu percebi isso, eu procurei dar um mote para esta investigação e tentar entender. Percebemos que há um processo muito recente, mas que está com uma grande dinâmica, ou seja, nós tivemos um grupo de mulheres pioneiras no final do século passado e a partir daí elas lançaram um mote para que muito mais produção esteja a surgir”, completou.

Catarina Sales Oliveira salientou que mapeou com alguma facilidade as mulheres que iniciaram na cultura nos anos 90 ao início dos anos 2000, mas neste momento é muito difícil, pelo que não conseguiu falar com todas as mulheres, agentes culturais de Cabo Verde.

A sua perspectiva, entretanto, conforme adiantou, era ampla, mas não foi possível dar foco a todas as áreas, mas foi possível falar com mulheres ligadas à literatura, cinema, artes plásticas e música.

Portanto, vincou que este estudo não é de maneira alguma “exaustivo”. O que pretende mostrar é que talvez seja necessário fazer muito mais e dar continuidade, porque há uma expressão única que as mulheres trazem a essas temáticas, às histórias que estão a contar através da sua produção artística e cultural, sublinhando ser crucial olhar atentamente e estudar esse fenômeno.

A investigadora destacou ainda os trabalhos da realizadora cabo-verdiana Samira Vera Cruz, nomeadamente o “Sumara Maré”, que narra a história das mulheres que fazem apanha de areia.

Por seu lado, a presidente do Instituto Cabo-verdiano da Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), Marisa Carvalho, destacou a importância deste estudo, sublinhando a necessidade de se aprofundar sobre estes temas.

“Esta questão é uma questão histórica, mas a mulher já não está tão invisível porque ela já começa a tomar para si a prerrogativa de contar a sua história. Ela estava invisível porque a história não era contada por ela, mas agora já temos mulheres que contam suas histórias e de outras mulheres, temos homens que contam histórias de mulheres, portanto esta invisibilidade que é histórica já deixou de o ser”, frisou Marisa Carvalho.

TC/JMV

Inforpress/Fim

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