Estudo aponta diminuição de casos de VBG no país, mas alerta para uma melhor articulação da rede de protecção às vítimas

Cidade da Praia, 25 Nov (Inforpress) – Um estudo realizado pelo ICIEG, em parceria com o PNUD, apontou uma diminuição de casos de Violência Baseada no Género (VBG), mas chamou a atenção para uma articulação mais organizada da rede de protecção às vítimas.

De acordo com o sociólogo Redy Lima, que encabeçou a consultoria no Estudo sobre o Feminicídio, referindo-se à VBG disse que “há uma diminuição significativa em Cabo Verde, com cerca de 51 por cento (%) em 2014, que é o ponto mais alto, para 2018 e 52,6% de 2016 para 2019”.

Avançou que 2012 foi o ano em que se registou maior número de casos, 19, sendo que em 2014 foram 15 casos, 2017 com cerca de 11 e 2018 com oito.

Conforme avançou, os casos têm diminuído, mas em algumas ilhas ainda “vão em contra-mão” apresentando casos que levaram ao feminicídio.

“Em São Filipe a VBG aumenta cerca de 42% de 2017 para 2018, isto leva sim a feminicídio”, sustentou.

Aquele responsável disse que o subjacente nesta questão é uma “cultura da hipermasculinidade” que faz com que os homens matem mulheres quando posta em causa a sua honra e a posse.

Nesta linha defendeu que é preciso trabalhar os homens enquanto agressor, mas começar também a ter uma abordagem do homem contra a vítima de um sistema que lhe subjuga e que lhe obriga a mostrar a sua masculinidade.

Por outro lado, chamou a atenção para a necessidade da institucionalização da rede de protecção das vítimas, que considera estar “muito desarticulado e muitas vezes se trabalha na lógica da informalidade”.

“Muitas das vítimas que nós analisamos no processo são pessoas que têm passagens pela polícia sobretudo, há já tentativas, há queixas feitas”, realçou.

O sociólogo afirmou ainda que a sociedade cabo-verdiana é “bastante agressiva”, revelando que nos dados da criminalidade contra pessoas o que mais sobressai é a ofensa corporal e logo depois vem a VBG.

“Portanto VBG é apenas um sintoma de uma sociedade agressiva, que vem no contexto dessa agressividade”, concluiu.

O estudo tem como finalidade facilitar a articulação das acções de prevenção, melhoria e alargamento dos serviços de apoio às vítimas de VBG e de fortalecimento de respostas institucionais (governamentais e não governamentais).

HR/ZS

Inforpress/Fim

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