ENTREVISTA: Cabo Verde precisa gerar dois mil postos de trabalho anuais para combater o desemprego jovem – Vice-PM

Cidade da Praia, 25 Out (Inforpress) – O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças disse que o Orçamento do Estado para 2024 está focado na criação de empregos e que o país precisa criar nos próximos tempos cerca de dois mil empregos anuais para os jovens.

Em entrevista à Inforpress, Olavo Correia declarou que para a concretização desta meta, o país terá de amplificar/aumentar, de forma substancial, o potencial de crescimento com a economia cabo-verdiana, mediante as reformas nos sectores energéticos, das colectividades, na digitalização, ao nível da capital humano e das instituições.

O também ministro do Fomento Empresarial e ministro da Economia digital enumerou, ainda nesta lista, a reforma ao nível do reforço do sector privado, com o intuito da criação de emprego nos mais diversos sectores da actividade económica.

Nesta linha, frisou que o bem-público mais importante que o Governo pode colocar à disposição dos jovens cabo-verdianos através do OE é o emprego qualificado e bem remunerado, pelo que esclareceu que, além do foco no emprego, o orçamento está virado para a protecção dos mais desfavorecidos.

Considerando que o mundo vive o actualmente o contexto mais desafiante desde a década de 90, sobretudo no plano externo, o governante sublinhou que hoje em dia está-se perante a fragmentação geopolítica, uma instabilidade no plano geopolítica, geoestratégica, provocando um quadro de muitas incertezas no plano internacional.

Acima disto tudo, explicitou, o mundo está a enfrentar os efeitos das alterações climáticas, atingindo sobretudos os pequenos estados insulares, mas que o país terá de responder estes lutas com estabilidade macroeconómica, confiança, através do acelerar das reformas e com instrumentos para proteger os mais carenciados e aqueles que vivem nas margens da pobreza extrema.

“Nós não temos escolhas hoje em relação ao optimismo. Não podemos responder às incertezas com mais incertezas, nem a uma onda de pessimismo na escala mundial com mais péssimos no plano interno. A instabilidade tem que ser respondida com estabilidade e pessimismo com optimismo. Temos de trabalhar para reduzir os riscos e colocar Cabo Verde na rota do crescimento”, elucidou.

Olavo Correia apontou a redução do desemprego jovem e a estabilidade como duas das prioridades, afirmando que o país tem estado na diminuição do défice orçamental em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), a reduzir a dívida pública.

O governante salientou que Cabo Verde foi recentemente referenciado como um dos países que melhor desempenho tem registado ao nível da redução da dívida pública em percentagem do PIB nos últimos anos, o que considera “extraordinário” para o este pequeno estado insular arquipelágico, na presente conjuntura.

O vice-primeiro-ministro revelou, a propósito, que o continente africano vai precisar de criar cerca de 450 milhões de postos de trabalho nos próximos 20 anos, ressalvando que, de acordo com dados precisos, a economia africana só conseguirá gerar cerca de 100 milhões, pelo que o continente terá de trabalhar para cobrir o gap de 350 milhões.

Olavo Correia considera que se está perante um drama se o continente não conseguir adoptar uma solução para ir ao encontro dos jovens que se sentem frustrados e nas malhas de decepção e de uma frustração profunda, razão pela qual procuram outras geografias para concretizarem os seus sonhos, deixando descapitalizado a África em termos de mão-de-obra.

“Isto significa também tensões sociais, políticas, instabilidade, isto seria o aprofundamento da pobreza extrema no continente africano”, realçou.

Orçado em cerca de 86 milhões de contos, o Orçamento do Estado para 2024, segundo o Governo, está projectado para responder às necessidades emergenciais para face à gestão das várias crises e focado para impulsionar a dinâmica das reformas das actividades económicas.

SR/CP

Inforpress/Fim

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