ENTREVISTA: Embaixador Carlos Veiga defende que Cabo Verde deve manter as “melhores relações possíveis” com Israel (c/áudio)

Cidade da Praia, 01 Abr (Inforpress) – O embaixador de Cabo Verde em Washington, Carlos Veiga, que também é acreditado em Telavive, defende que em termos de cooperação com Israel o país deve manter as “melhores relações possíveis”.

“Só temos a ganhar com esta relação e temos uma base histórica para o fazer. Temos uma herança histórica com Israel e, no fundo, o nosso DNA inclui efeitos de duas ondas de chegada de judeus a Cabo Verde, uma no século XV e outra no século XIX”, precisou o chefe da missão diplomática cabo-verdiana em Washington, que, também, representa o país junto do Governo israelita.

Carlos Veiga fez essas considerações, em declarações Inforpress, à margem da primeira Conferência Ministerial do Turismo e Transportes Aéreos em África, que decorreu de 26 a 29 de Março na cidade turística de Santa Maria, ilha do Sal, em que participou na qualidade de representante de Cabo Verde junto da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO-sigla inglesa), com sede no Canadá.

“Em Cabo Verde, temos muitas famílias que são descendentes de famílias judaicas” indicou Carlos Veiga, não fosse ele próprio também de origem judaica, lembrando que existe esta “base comum” entre Israel e o arquipélago.

O seu avo materno era judeu, vindo de Gibraltar para Cabo Verde, onde se casou com uma cabo-verdiana, em Santo Antão, tendo-se, depois, estabelecido em São Vicente, onde nasceu a sua mãe.

Segundo ele, Cabo Verde é um país de civilização judaico-cristão e Israel é um Estado com “alguma similitude” com o arquipélago, nomeadamente no que diz respeito à aridez do seu solo.

“No contexto difícil em que se situa, mesmo do ponto de vista de recursos naturais, Israel conseguiu mostrar, com resiliência e ousadia, que é possível, de facto, encontrar soluções para estes problemas”, pontuou Carlos Veiga.

Em seu entender, a experiência israelita no sentido de driblar a falta de chuva pode servir a Cabo Verde, uma vez que aquele país conseguiu resolver o problema da agricultura irrigada.

“Israel aproveita todas as gotas de água, que sejam possíveis, de todas as fontes para irrigar, desde da água da chuva, quando chove, passando pelas águas de aquíferos”, indicou para depois sublinhar que aquele país “perfura mais de um quilómetro de profundidade”, além de utilizar águas residuais e salobras.

De acordo com o representante da Praia em Israel, nesse país utiliza-se igualmente na agricultura a água dessalinizada, porque, diz, com a nova tecnologia, consegue produzi-la a “baixo preço”.

“Tudo isto interessa a Cabo Verde” salientou o diplomata, adiantando que Israel tem uma “extraordinária capacidade” no que tange às energias renováveis, um outro tema que, de acordo com as suas palavras, “interessa ao país”.

Para Carlos Veiga, no que concerne às tecnologias, Israel é considerado um dos países “mais avançados do mundo” e com um sistema de defesa e segurança, sobretudo em matéria de segurança urbana, “muito desenvolvido” no qual “Cabo Verde se pode inspirar”.

Na sua perspectiva, deve haver uma “relação normal” entre os dois países “que se respeitam e têm pontos comuns e que podem ajudar-se mutuamente”.

Recentemente, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, participou na conferência anual do Comité de Assuntos Públicos Israelo-Americana – AIPAC, que é um lobby pró-judeu nos Estados Unidos de América “muito forte e poderoso”, onde destacou a relação entre Cabo Verde e aquele país do Médio Oriente, baseada em laços histórico-culturais.

Nos EUA, participou ainda numa “Conversa Aberta”, a convite do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) para a África, em parceria com o Wilson Center, tendo dissertado sobre as linhas da política externa relativamente aos Estados Unidos à Europa e à China.

Em Cabo Verde, as marcas judaicas estão presentes em diversas ilhas, como Santo Antão, SãoVicente, Boa Vista, Santiago e Fogo.

LC/CP

Inforpress/Fim

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