Direcção Nacional da Saúde quer envolver a família no processo de cuidado ao doente paliativo

Cidade da Praia, 08 Out (Inforpress) – A ponto focal da DNS Valéria Semedo considerou hoje importante envolver a família ou cuidador no processo de cuidado ao doente paliativo, visando garantir a qualidade de vida do paciente na sua comunidade.

Esta responsável fez estas afirmações em declaração à imprensa, à margem da cerimónia de lançamento do Guia do Cuidado do Doente em Cuidados Paliativos”, enquadrado nas comemorações do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos que se assinala este sábado, sob o lema “Não deixe ninguém para trás – Equidade no acesso aos Cuidados Paliativos”.

Conforme explicou, o referido guia irá promover o empoderamento das famílias ou do cuidado, de forma a garantir a sua integração na equipa multidisciplinar que cuida de doentes paliativos.

“Os cuidados paliativos são um trabalho de equipa multidisciplinar e que a família também faz parte desta equipa, assim, quanto mais conhecimento e autonomia esta família tiver, alinhado aos princípios filosóficos do que é que são os cuidados paliativos, melhor será a qualidade de vida do nosso doente”, declarou.

Questionada sobre as acções que Cabo Verde tem realizado para melhorar e garantir os cuidados paliativos, adiantou que neste momento tem sido disponibilizadas consultas hospitalares e que existem algumas iniciativas individuais em curso.

Apontou ainda a realização de um diagnóstico da situação, de forma que irá permitir a implementação de uma rede de cuidados paliativos e abranger a todos os doentes, cumprindo assim o lema deste ano, que apela à equidade e acesso aos cuidados paliativos.

Relativamente aos dados estatísticos, disse que ainda não há registo nesta área em Cabo Verde, uma vez que o País está a dar os primeiros passos, tasseverando que a perspectiva da Direcção Nacional da Saúde é chegar a todas as comunidades.

“A divulgação e elaboração deste manual é uma manifestação desta vontade, e, portanto, para além das consultas, não temos os dados da comunidade, esperamos em breve conseguir ter um projecto ou um plano para implementar a curto, médio e longo prazo os cuidados paliativos e termos assim dados mais fidedignos das necessidades”, afiançou.

Disse, por outro lado, que a Direcção Nacional da Saúde quer que o doente se sinta inserido na sua comunidade, afiançando que caso o doente queira permanecer junto dos seus familiares, é preciso assegurar os cuidados paliativos a nível da comunidade.

Defendeu neste sentido a necessidade de criação de centros específicos para internamento de doentes paliativos, isto porque, justificou, os cuidados paliativos são uma área muito específica com o seu conhecimento e arte próprios

“Quero destacar o papel da comunidade, porque nós somos seres sociais, todos nós vivemos e queremos falecer dentro da nossa sociedade e queremos criar as condições através das equipas comunitárias para assim a pessoa poder beneficiar de estar com a família no seu momento final”, concluiu.

A cerimónia do lançamento do Guia do Cuidado do Doente em Cuidados Paliativos contou com a presença do director nacional da Saúde, Jorge Noel Barreto, e da representante da Organização Mundial da Saúde, Flávia Semedo.

O Dia Mundial dos Cuidados Paliativos é celebrado todos os anos no segundo sábado do mês de Outubro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define cuidados paliativos como a assistência promovida por uma equipe multidisciplinar com a finalidade de melhorar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida.

CM/JMV
Inforpress/Fim.

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