Delegação da Guiné-Conacri visita Cabo Verde para recolha de experiências de governação e democracia

Cidade da Praia, 06 Nov (Inforpress) – Uma delegação do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Conacri reuniu-se hoje com o secretário-geral da Assembleia Nacional, Angelino Coelho, para se inteirar da “boa governação” no que respeita ao funcionamento da Assembleia Nacional.

A Informação foi avançada à imprensa após encontro com Angelino Coelho, pela chefe da missão e conselheira do CNT, Fátima Camara, que realçou ainda que esta visita visa manter o intercâmbio existente com o parlamento e instituições cabo-verdianos, assim como “beber” do modelo da democracia cabo-verdiana.

“Pensamos que Cabo Verde tem uma democracia exemplar a nível da África. Por isso, para nós esta missão nos permite recolher o máximo de informações sobre a governação e as instituições que apoiam a democracia”, disse, manifestando-se satisfeita com o encontro que manteve com o secretário-geral da Assembleia Nacional.

Referiu ainda que este primeiro encontro irá servir para ajudar a delegação do CNT a refletir sobre a forma de partilha de experiências do parlamento cabo-verdiano para com a Guiné-Conacri.

“A nível do parlamento temos uma boa relação com Cabo Verde e esta visita servirá para reforçar os laços já existentes, assim como a nível da história comum”, realçou, frisando que a intenção é que esta cooperação de amizade seja alargada a outros sectores.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Conacri, que tem a responsabilidade da transição política num período de dois anos, tem ainda nas mãos, segundo Fátima Camara, o encargo da adopção de uma nova Constituição da República.

“Para este processo estamos a visitar diferentes países africanos, sendo Cabo Verde uma delas, para podermos tirar o melhor proveito das boas práticas nesta matéria”, explicou, indicando terem já visitado Ruanda, como um “modelo excelente” a nível da paridade, e Cabo Verde, por ser um “modelo eficaz” a nível da democracia.

Fátima Camara avançou ainda que a estabilidade política na Guiné-Conacri está num “bom nível” e que a nível financeiro e económico estão a trabalhar para a transparência económica.

Afirmou também que o tempo proposto para a transição política visa construir instituições fortes para a governação dos “bens públicos”.

A nível do parlamento, a delegação chefiada por Fátima Camara manterá encontro com o líder parlamentar do MpD, com o líder do PAICV, com e Comissão Especializada de Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos, Segurança e Reforma de Estado, a Comissão Especializada de Finanças e Orçamento, a Comissão Especializada de Economia, Ambiente e Ordenamento do Território, a Comissão Especializada de Relações Externas, Cooperação e Comunidades, e a Comissão Especializada de Educação, Cultura, Saúde, Juventude, Desporto e Questões Sociais.

A missão da Guiné-Conacri vai cumprir uma agenda de uma semana, de hoje a sábado, 12, com encontros com vários membros do Governo, entre os quais, a ministra das Infra-estruturas, Ordenamento do Território e Habitação, o ministro da Administração Interna e o ministro do Turismo e Transportes.

O CNT é o órgão legislativo da Guiné-Conacri que substitui o parlamento durante o período de transição que decorre no país, depois do golpe militar de setembro de 2021, e é composto por 81 membros de partidos políticos, grupos da sociedade civil, sindicatos, empregadores e forças de segurança, entre outros.

A Guiné-Conacri é um dos quatro países suspensos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) devido a golpes de Estado, num grupo que inclui Mali, Níger e Burquina Faso, é e dos mais pobres do mundo, apesar de um significativo potencial agrícola, mineiro e na produção de energia hídrica.

A junta militar chefiada pelo coronel Mamadi Doumbouya tomou o poder a 05 de setembro de 2021, quando o Grupo de Forças Especiais do Exército derrubou o então presidente, Alpha Condé, que governava desde 2010, após optar por um controverso terceiro mandato em outubro de 2020, não permitido pela Constituição guineense.

PC/AA

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos