Covid-19/Ilha do Sal: Operadores económicos consideram prudente alargamento do estado de emergência mas preocupados com dificuldades (c/áudio)

Espargos, 17 Abr (Inforpress) – Os operadores económicos a nível de restauração no Sal consideram prudente o alargamento do estado de emergência, porque está em causa a vida das pessoas, mas mostram-se preocupados com a dificuldade económica, que impede honrar os compromissos.

Os restaurantes nas cidades de Espargos e Santa Maria estão todos fechados, e a maioria dos proprietários fez “enorme” investimento, no sentido de melhorar a qualidade dos serviços prestados na ilha.

Caso do conhecido empresário Américo Soares, dono do restaurante Américo’s, em Santa Maria, mas também Elsa de Pina, dona do Restaurante Nortenha, nos Espargos.

“Adivinhar é proibido”, foi também o desabafo de alguns donos de restaurantes, que se vêem em apuros, provocados pela pandemia da covid-19 que assola o mundo, e a que Cabo Verde não escapou, atingindo “gravemente” o Sal, já que essencialmente turística.

“Estou numa situação verdadeiramente delicada. Fiz um grande investimento, trabalho essencialmente com os operadores turísticos. Estou de mãos atadas. E ainda não consegui acessar aos veículos para fazer face à mitigação da crise, Finanças, instituições bancárias, Direcção do Trabalho, o INPS, porque a demanda é tanta para a capacidade de resposta”, exteriorizou Elsa de Pina.

A empresária explicou em declarações à Inforpress  que fechou o restaurante Nortenha desde a declaração de estado de contingência, já que não se justificava ficar aberto, por falta de movimento.

“Tenho muitas responsabilidades, com salários dos funcionários, créditos bancários, INPS, além de outras contas. No mês de Março fiz o pagamento do pessoal à rasca, este mês não sei como é que vai ser… porque ainda não consegui acessar às facilidades implementadas pelo Governo para ajudar os empresários a mitigar os efeitos dessa crise”, revelou.

Perguntado quanto às perspectivas futuras, Elsa de Pina responde: “un ka nen sabé”, que traduzido em português significa “nem sei”, apreendendo que 2020 “é um ano perdido”.

Seguindo pelo mesmo diapasão, Américo Soares considera que a declaração do estado de emergência foi uma decisão prudente, já que a situação que vivemos é de “vida ou morte”.

“A única forma de combatermos esse inimigo invisível, a covid-19, é ficarmos em casa. Estamos a fazer um esforço enorme, e tivemos que recorrer à banca para ajudar-nos com o nosso pessoal. Mesmo que a gente tivesse que abrir não se justificaria (…). Não há turistas”, observou.

Não obstante os prejuízos, responsabilidades que ficam por assumir, Américo Soares disse que neste momento o mais importante é se preocupar com a saúde e vida das pessoas.

“Isso não tem preço. O futuro é uma incógnita, já que a nossa economia depende muito do turismo”, apontou, parabenizando o Governo pelas medidas acauteladas para minimizar os feitos dessa crise.

“As medidas dos Governo são bem-vindas e é de louvar. E nós como contribuintes, cumpridores dos compromissos fiscais, estando nesta classe, agradecemos essa iniciativa porque vai nos permitir beneficiar desses apoios, através do banco”, manifestou.

Tendo em conta a manutenção do estado de emergência, o apelo de uns e outros, é para as pessoas ficarem em casa, respeitarem as regras e as autoridades para evitar mal maior.

SC/CP

Inforpress/Fim

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