Covid-19: Governo equaciona linha de crédito para apoiar retoma das actividades no sector informal (c/áudio)

Cidade da Praia, 27 Abr (Inforpress) – O Governo poderá criar uma linha de crédito com acesso facilitado para permitir que os operadores do sector informal tenham recursos para retomar as suas actividades depois de período de contingência.

Este foi um dos assuntos analisados no encontro entre o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e os autarcas, através da videoconferência, durante o qual os presidentes das câmaras municipais pediram uma atenção do executivo para esta questão.

No final do encontro, o porta-voz, o ministro da Integração Regional, Rui Figueiredo Soares, adiantou que ficou assente que o executivo poderá criar uma linha de micro-financiamento para que esses microempresários possam ter recursos e retomar as actividades informais.

“Temos muitas pessoas que acabarem por despender os seus magros recursos nessa situação de contenção e não podem fazer a sua vida normal. Foram atendidas, é certo, mas agora para retomarem precisam de recursos”, disse o ministro.

“Os presidentes das câmaras falaram, sobretudo, de uma linha de crédito com condições de acesso facilitado. O governo vai ponderar fazer isso, de modo que esses pequenos empresários do sector informal eventualmente tenham acesso rápido a microfinanciamentos que lhes permitem retomar as suas actividades”, acrescentou indicando, entretanto, que a questão da subvenção não esteve sobre a mesa.

Outro assunto analisado durante o encontro tem a ver com os investimentos públicos e os programas de investimentos executados pelas autarquias, nomeadamente o Programa de Reabilitação Requalificação e Acessibilidades (PRRA), financiado em grande parte pelos fundos do turismo e do ambiente.

Neste particular, Rui Figueiredo Soares disse que apesar das grandes quebras que os fundos estão a ter, e vão continuar a registar, o Governo está a fazer de tudo para que os programas sejam retomados por forma também garantir emprego público e rendimento às famílias nos municípios.

Os autarcas pediram ainda que o Governo crie as condições para que os municípios tenham acesso às moratórias juntas dos bancos comerciais e trataram ainda da questão dos munícipes que se encontram foram dos concelhos de residência.

Em relação a este último ponto, o ministro lembrou que o Governo aprovou uma resolução para permitir a deslocações dos munícipes para sua ilha de residências, mas alertou que as pessoas que estão nas ilhas de Santiago e Boa Vista terão que aguardar até que a situação epidemiológica das ilhas se clarifique.

O encontro, presidido pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que contou as presenças dos presidentes das câmaras da Praia e da Ribeira a Grande de Santiago e dos outros municípios através da vídeo-conferência, tinha por objectivo analisar as medidas de contenção e de protecção para o pós-estado de emergência.

O estado de emergência terminou às 24:00 de domingo, nas ilhas onde não foram registados casos positivos de covid-19, Santo Antão, São Nicolau, Sal, Fogo, Brava e Maio. Nas ilhas com registos de casos, Santiago, Boa Vista e São Vicente o término está previsto para às 24:00 de 02 de Maio.

O primeiro-ministro, na sua alocação, apelou aos autarcas a continuarem vigilantes e fazerem uma boa gestão dos riscos, lembrando que o levantamento do estado de emergência não significa fim da propagação do vírus.

“Covid-19 não vai desparecer nem por medidas legislativas e administrativas e vai andar por aí. Nós temos que saber conviver com esta situação, minimizando a intensidade da sua propagação até que uma vacina seja descoberta. Isto é fundamental para podermos enquadrar a necessidade não desarmarmos de uma só vez as medidas”, disse.

Cabo Verde contabilizou hoje mais três casos positivos de covid-19, elevando para 109 o número total de infectados, sendo 55 na ilha de Santiago, 53 na Boa Vista e um em São Vicente.

MJB/CP

Inforpress/fim

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