Covid-19/Santa Cruz: Grávida transferida da ilha da Boa Vista acusa Centro de Saúde de discriminação

Pedra Badejo, 20 Abr (Inforpress) – Uma mulher transferida da ilha da Boa Vista, no dia 09, por causa de uma gravidez ectópica, acusou o Centro de Saúde de Santa Cruz de descriminação no atendimento e pede intervenções do ministro da Saúde.

Nelita Ferreira explicou à Inforpress que, devido a uma gravidez fora do útero, na tarde do dia 09 foi transferida urgentemente para a cidade da Praia, onde na noite do mesmo dia foi submetida a uma cirurgia, que considerou ser “um sucesso” porque salvou a sua vida.

Entretanto, teve alta no dia 13 e foi para a casa da sua família em Santa Cruz, onde na quarta-feira, 15, começou a sentir “muita dor na barriga” devido a remoção da trompa do lado esquerdo.

“Senti uma dor insuportável e sangramento”, explicou, acrescentado que ao ver que a dor atingiu uma dimensão intolerável, resolveu dirigir-se para o Centro de Saúde.

Ao chegar, adiantou, as pessoas que sabiam que ela esteve na ilha da Boa Vista começaram a entrar e os funcionários colocaram máscaras e luvas na hora.

“Quando fui falar com um enfermeiro, ele subiu o tom da sua voz e disse-me que já foi propalado várias vezes para as pessoas não se deslocarem para os hospitais antes de chamar, principalmente as provenientes de zonas de risco”, demonstrou, acrescentando que antes de ir fazer a consulta ligou para a linha verde covid-19 e foi informada que, desde que não teve contacto com pessoas infectadas, podia se dirigir para o Centro de Saúde.

A mesma assegurou que não teve contacto com as pessoas em quarentena nos hotéis e que nunca trabalhou nesses estabelecimentos.

Segundo mostrou, após explicar a sua situação, o enfermeiro respondeu que ela tinha que esperar na rua, onde ficou dentro de sol, situação que a incomodou tanto, ao ponto de resolver voltar para a casa sem efectivar a consulta.

“Não tive consulta nem nada. A delegada da Saúde enviou-me os remédios em casa”, afirmou, defendendo que se deveria criar condições para atender os pacientes, “já que se propala tanto que os hospitais estão preparados para atender os doentes durante a pandemia da covid-19”.

Adiantou que 24 horas depois, uma enfermeira foi falar com ela para voltar para o centro de saúde, mas recusou.

Indignada, Nelita Ferreira publicou um vídeo directo nas redes sociais, através do qual conta a sua situação, com a intenção de fazer a mensagem chegar ao ministro da Saúde, Arlindo do Rosário.

“Fui bastante discriminada no lugar em que nasci e criei”, lamentou, lembrando que no Hospital Agostinho Neto recebeu toda assistência sem nenhuma discriminação.

A Inforpress tentou contactar a delegada de Saúde em Santa Cruz para ouvir a sua posição sobre o assunto, mas até o momento da edição desta notícia as tentativas resultaram-se infrutíferas.

WM/JMV

Inforpress/Fim

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