Covid-19/REPORTAGEM: População do Norte de São Filipe da Praia “revoltada e indignada” com falta de água (c/vídeo)

Cidade da Praia, 18 Abr (Inforpress) – Os moradores da Zona Norte de São Flipe, na Cidade da Praia, mostram-se revoltados com a “carência de água” por que passam, sobretudo nesta altura “complicada” do ano, e consideram-se abandonados pelas autoridades municipais e pelos serviços de água.

Situada logo à entrada da Cidade da Praia, para quem vem do interior, ou a saída da capital, para quem deixa a Praia de Santa Maria, a localidade do Norte de São Filipe, também conhecida por “Cobom de Fome”, está a braços com a carência de água, situação que deixa os moradores “revoltados”, particularmente nesta época em que se exigem cuidados higiénicos redobrados.

Os populares dizem-se cansados e indignados com a falta de água para consumo, quando a localidade conta com dois tanques que, segundo dizem, conduzem água para a Cidade da Praia, uma situação “incompreensível e insustentável para os moradores, uma vez já que “sistematicamente são surpreendidos” pelo vazamento da água destes enormes depósitos, do outro lado da estrada, a escassos metros das residências.

O sargento das Forças Armadas António Pires é um dos moradores que dá corpo a esta “tamanha indignação e revolta”, alegando que sempre tem “batalhado” junto da autarquia e dos serviços de água para que a localidade possa ser beneficiada de ligações domiciliárias, mas que os muitos protestos e carta enviada desde 2018, mesmo ao presidente da Câmara Municipal da Praia, não têm surtido efeitos.

O mesmo disse que a indignação é tanta que, juntamente com um outro vizinho, engenheiro de formação, já se comprometeram a financiar toda a tubagem necessária para a canalização que possa levar água a localidade, mas que tardam a reacção das autoridades, “com o povo a viver na penúria de água”, mormente numa altura que a luta contra a covid-19 clama, pelo menos, “pela lavagem frequente das mãos”.

António Pires disse que numa população maioritariamente carenciada e que muitos são domésticas, torna-se inadmissível que o “povo vive da compra de água dos autotanques vendidos a 300 ou 250$00 por baião de 200 litros, ou a 30$00 por vasilhas de 30 litros.

Sublinhou que população está a viver da apanha de águas enferrujadas, para consumo, contra todas as recomendações, quando vazada dos tanques, para o desespero de todos, o que para ele vai contra as exigências governamentais que exigem uma atenção higiénica redobrada para face à luta contra a coronavírus da covid-19.

Esta indignação é corroborada pela jovem Patrícia Lopes, para quem “a população corre o risco de ficar contaminada”, denunciando que os moradores estão a consumir água suja que resta dos referidos tanques, o que implica “destempero com lixívia”, pelo que entende que mais do que o novo coronavírus, há sérios riscos de contraírem doença com o consumo de água imprópria.

À Inforpress disse mesmo que a autarquia faz uma diferenciação entre a Zona Norte e as outras, já que a localidade, de terra batida e sem água domiciliária, sente-se marginalizada e só visitada por alturas das campanhas eleitorais.

Quem também manifestou a sua sublevação é a sexagenária Arminda Moreira, há 30 anos a residir na localidade, que considera “uma tristeza viver numa localidade que distribui água para o centro da cidade, mas que dela padece”.

Aproveitou a oportunidade para reivindicar água canalizada, calcetamento e as cestas básicas que nesta altura da pandemia estão a ser distribuídas em todas as outras localidades.

“Ali somos esquecidos. Não se sabe se somos de São Filipe, ou de Ribeirão Chiqueiro, ou mesmo de outra parte”, reclama esta anciã, para quem “assim fica difícil confinar-se em casa”, quando não se tem sequer uma pinga de água.

Esta revolta foi também comunicada à Inforpress pelo jovem Élcio Moreira, que vive na localidade desde tenra idade, para quem a situação torna-se gritante numa altura em que se exige da população o reforço das condições higiénicas contra a pandemia, enquanto os os moradores invadem a estrada, interrompendo inclusive o tráfego, para poder ter acesso ao vazamento da água dos tanques.

Disse que a falta de água está insustentável, a ponto de a população chegar a padecer de água para saciar a sede, “porque as pessoas estão com medo de dividir os seus utensílios por causa da doença”.

Adiantou que os jovens estão determinados a ajudar as máquinas na colocação e tubagem para que a zona saía desta miséria.

 

SR/JMV

Inforpress/Fim

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