Covid-19: O desafio mais urgente é vencer a batalha sanitária com o mínimo de perdas humanas – Pedro Pires

Mindelo, 09 Mai (Inforpress) – O ex-Presidente da República, Pedro Pires, considerou hoje que o desafio mais urgente que se coloca ao País é vencer a batalha sanitária com o mínimo de perdas humanas e redução de custos materiais.

Pedro fez estas afirmações numa terceira carta aberta endereçada aos cabo-verdianos, na sequência da evolução de casos de covid-19.

Segundo o ex-chefe de Estado cabo-verdiano, as prioridades que vê são de natureza sanitária e a protecção eficiente da saúde da população.

Também diz acreditar que a redução do tempo de tratamento e do número de infectados diminuem a duração dos ciclos de estragos e de perdas humanas e materiais.

“Impõe-se encurtar esse tempo maléfico. Entendo que o calculismo e o imediatismo podem dificultar a materialização das condições de sucesso”, analisou.

Para o comandante, que lutou pela independência de Cabo Verde, a situação recomenda a “não pensar em dividendos imediatos”, ou seja, “quanto se ganha ou quanto se perde”, porque este “é o tempo da generosidade”, de “oferecer sem esperar por recompensa imediata”, porquanto, “a derrota e a salvação são colectivas”.

“A defesa do bem-comum convida-nos à cooperação e à subsidiariedade e a abdicar do aproveitamento de situações parecidas fáceis, mas que, no fundo, não o são”, afirmou Pedro Pires.

No seu entender, trata-se de um investimento a médio-prazo e para o bem comum.
Pedro Pires observou que na cidade da Praia existe um número “expressivo” de infectados e, em compensação, os resultados da Boa Vista são “encorajadores”.

“Pessoalmente, não esperava que acontecesse, porque estava convencido de que conseguiríamos romper, a tempo, o ciclo de transmissão da doença. Não aconteceu. Isto significa que não respeitamos escrupulosamente as medidas de prevenção indicadas pelas autoridades sanitárias”, observou, defendendo que a solução é “persistir e empenhar-se” em cumprir as normas, a fim de se driblar o vírus.

Por outro lado, reconheceu que há pessoas cujas condições económicas lhes dificultam o cumprimento dessas medidas. Mesmo assim, sustentou que sempre se pode fazer alguma coisa, observando pelo menos as regras mínimas.

Conforme Pedro Pires, as tendências mostram que não se deve iludir em esperar por um resultado final de “risco zero” de infecção.

Lembrou que, provavelmente, os cabo-verdianos vão ter um período de transição em que conviverão com algum risco residual de transmissão, pelo que se deve interiorizar as normas de prevenção de lavagem das mãos, de distanciamento social e de afastamento de locais e actividades sociais que facilitem a transmissão do vírus.

“Na vida, há tempo para tudo. Este é o tempo de renúncias de prazeres e de certos hábitos culturais enraizados. Posteriormente, chegarão os tempos da desforra. Não tenhamos pressa e aguardemos pela chegada dos tempos festivos e prazerosos”, sugeriu.

Por isso, Pedro Pires pediu às pessoas que respeitem as indicações das autoridades públicas e cumprem rigorosamente as normas de prevenção sanitária, recomendadas pelas autoridades sanitárias, de lavagem constante das mãos e de distanciamento social, e que evitem aglomerações humanas.

A seu ver, isso seria uma homenagem e uma recompensa aos profissionais de saúde e aos agentes da polícia que se contaminaram ao serviço de defesa e protecção da saúde.

O ex-presidente da República defendeu, igualmente, que se torna “urgente a intensificação” da responsabilidade social e “despertar maior espírito cooperativo entre os actores públicos, privados, sociais e individuais”.

No total, Cabo Verde já registou 236 casos de covid-19 desde que o primeiro doente foi diagnosticado, em 19 de março, distribuídos pelas ilhas de Santiago (177), Boa Vista (56) e São Vicente (03, todos recuperados).

Por regiões do mundo, a Europa somava hoje ao fim da manhã 154.144 mortes em 1.696.696 casos, Estados Unidos e Canadá 81.858 mortes (1.350.363 casos), América Latina e Caribe 18.651 mortes (339.771 casos), Ásia 10.238 mortes (279.180 casos), Médio Oriente 7.471 mortes (214.173 casos), África 2.130 mortes (57.689 casos) e Oceânia com 125 mortes (8.261 casos).

Este balanço é realizado com base em dados recolhidos a nível internacional junto das autoridades nacionais competentes e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
CD/JMV
Inforpress/fim

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