Covid-19/Ilha do Sal: Salenses em quarentena dizem que a experiência foi “dura e angustiante” (c/áudio)

Espargos, 09 Abr (Inforpress) – Alguns salenses que chegaram ao Sal no dia 24, provenientes de Portugal, em quarentena num dos hotéis de Santa Maria, para evitar entrada da Covid -19 no país, dizem ter sido uma experiência “dura e angustiante”.

Embora “bem acolhidos e tratados”, conforme asseguraram em declarações à Inforpress, uns e outros, reiteram que foi uma experiência única e para esquecer.

No meio do grupo, encontrava-se Mário Paixão Lopes, ex- presidente do conselho de administração da Empresa Nacional de Segurança Aérea (Asa), e esposa, também a senhora Antónia Évora, Tanha, mãe da conhecida activista social Mirandolina Évora, salense que vive há alguns anos nos Estados Unidos.

Mário Paixão, para quem foram dias “dramáticos”, já que quando se chega do exterior quer-se chegar à casa, ao aconchego do lar, conta que passava entre as quatro paredes do quarto do hotel, a ler, ver programas na televisão, apanhar sol na varanda, e lá mesmo, acompanhada da esposa, fazia o seu exercício físico matinal.

Para além disso, falava também com os amigos e familiares através das redes sociais, e os 14 dias foram passando.

“Foi dura mas a gente aguenta. Essas medidas de precaução tinham que ser tomadas. O Governo agiu bem, e as autoridades sanitárias estão a fazer um bom trabalho. Nós fizemos a nossa parte. Todo o país está numa situação de contingência, a cumprir um estado de emergência”, manifestou.

Confinado durante duas semanas dentro de um hotel, sem opções e alternativas, Paixão Lopes disse que foi uma “satisfação enorme” ter chegado à casa e desfrutar do seu espaço, do “lar doce lar”.

“Foi uma sensação de satisfação porque todas as pessoas querem estar no conforto da sua casa, nos seus aposentos, fazendo as suas coisas (…)”, enfatizou.

“Tivemos um atendimento excelente por parte dos trabalhadores no hotel, mas foi uma experiência dura, dramática…, para todo o mundo”, exteriorizou o ex-presidente do conselho de administração da ASA, referindo-se à situação vivida no mundo inteiro, em todos os países afectados pelo coronavírus, a covid-19.

Tratando-se de uma “tragédia”, a nível mundial, Paixão Lopes faz um apelo no sentido de se ponderar e relativizar a nossa própria experiência.

“Estamos contentes porque estamos de boa saúde, tal como os nossos companheiros. Em Cabo Verde, estamos bem, foram tomadas medidas de precaução e prevenção visando a protecção da população, mas cada munícipe, cidadão tem de fazer a sua parte. Somos agentes fundamentais na implementação dessas medidas e orientações”, enfatizou.

Por sua vez, e esboçando um “uff”, Antónia Évora disse que esses 14 dias “enclausurada” foram “angustiantes”, que até chorou.

“Fechada sozinha dentro de um quarto… abria a porta só para apanhar a comida, mas não via ninguém. Foi uma angústia, mas fomos bem tratados, não temos razões de queixa”, desabafou, manifestando satisfação por se encontrar em casa.

“Quando saí do hotel gritei liberdade, porque é como se estivéssemos fechados numa cadeia ”, conta.

Paixão Lopes, Antónia Évora, e outras pessoas que estavam confinadas naquele hotel da cidade turística de Santa Maria foram “liberadas” no dia 07 à noite, depois das autoridades sanitárias, o delegado da Saúde, local, José Rui Moreira, ter examinado minuciosamente o seu estado de saúde.

SC/JMV

Inforpress/Fim

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