Covid-19/Fogo: Medidas de combate à pandemia só beneficiam aqueles que tinham algum rendimento – Luís Pires

São Filipe, 14 Abr (Inforpress) – O vereador sem pasta da Câmara de São Filipe Luís Pires considerou que as medidas para fazer face à pandemia de covid-19 só beneficiam, deficientemente, aqueles que já tinham algum rendimento e os que estavam inscritos na câmara.

Numa conversa com a Inforpress na sequência de um ‘post’ publicado nas redes sociais, Luís Pires questiona sobre eventuais medidas para cobrir “aqueles que não estão inscritos e não tinham nada”, mas também “aqueles que não têm trabalho nem rendimento fixos e que são obrigados a deambular diariamente à procura do pão de cada dia”.

“Há gente sem conta que não está inscrita nem nas Finanças nem no cadastro social das câmaras e que não tem seguros de coisa alguma” e por isso não estão a beneficiar nem das cestas básicas, nem outros benefícios anunciados, afirmou o autarca, lembrando que nas ilhas rurais, depois de um período de três anos de seca, antes da declaração do estado de emergência, as famílias já não tinham reserva alguma.

Este indicou que as cestas básicas não são suficientes e para algumas famílias mal chegam para uma semana, adiantando que na próxima reunião camarária, ainda sem uma data marcada, vai levar algumas propostas para que as medidas para fazer face à pandemia tenham como suporte critérios justo, transparentes e democráticos.

De entre as propostas consta a aprovação com carácter de urgência do orçamento rectificativo de modo a alocar pela via de transferência de verbas, significativos valores nas rubricas destinadas a prestações sociais, adequar as medidas não apenas à pandemia do novo coronavírus (covid-19) mas à seca prolongada e socorrer as famílias que estão fora de todas as listas, isto porque “há mais trabalhadores e negócios informais do que formais”.

A utilização das lojas das diferentes localidades para aquisição dos produtos para as cestas básicas e não concentrar a riqueza apenas em determinadas empresas e estabelecimentos comerciais da cidade, aquisição de excedentes de produtos perecíveis que correm riscos de estragar aos horticultores e criadores e utilização de avultadas verbas que se destinavam às festas tradicionais e festivais para socorrer a população mais vulnerável e mitigar os impactos da crise.

A assimilação e implementação das medidas vai depender da prioridade da câmara que executa o orçamento, mas adiantou que há algumas actividades que caem automaticamente, como as festas de São Filipe e cujo valor deve ser canalizado para o sector social.

Na qualidade de vereador, Luís Pires indicou que entre mensagens e telefonemas já recebeu cerca de uma centena, das pessoas que não estão inscritas nem nas finanças e nem no cadastro social, como, por exemplo, de mecânicos e de outras categorias profissionais, mas que nem por isso deixam de ser cidadãos.

Segundo o mesmo, estas pessoas quando se dirigem ao Serviço de Saneamento para fazer as inscrições para eventuais benefícios não são atendidas, sempre com a desculpa de que a situação delas não tem nada a ver com a câmara.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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