Covid-19/Fogo: Instituições parceiras dos projectos implementados pela Cospe preocupadas com incumprimento de algumas medidas

São Filipe, 08 Mai (Inforpress) – As instituições parceiras dos projectos implementados pela organização não-governamental italiana Cospe estão preocupadas com o desrespeito pelas medidas de distanciamento social e de prevenção indicadas pelas autoridades.

Este é um dos resultados a que se chegou do inquérito realizado junto dos parceiros do projecto Pessoas, nomeadamente a direcção da Cadeia Regional, delegação do Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescente (ICCA) e delegacia de Saúde com a finalidade de identificar as principais criticidades, área de intervenção e a situação da ilha em relação à resposta à emergência, para avaliar a possibilidade de dar apoio através do plano de contingência dos projectos Rotas do Fogo e Pessoas.

O estudo em apreço refere à aglomeração de grande número de pessoas nas ruas em alguns bairros sem o distanciamento social recomendado, inclusive de crianças e adolescentes, numa situação em que ocorre igualmente o consumo de bebidas alcoólicas.

Outra preocupação está relacionada com o facto de os serviços de atendimento continuarem a funcionar tornando difícil às pessoas manterem a distância e em alguns casos os funcionários não tem material de protecção como máscaras e luvas.

“Com o fim do estado de emergência a situação continuará a ser crítica”, referiu o documento a que a Inforpress teve acesso, sublinhando que o regresso das pessoas que estão retidas na cidade da Praia, nos próximos dias, constitui um risco pelo que se torna necessário monitorizar o cumprimento da quarentena domiciliar.

A realização de mais actividades de sensibilização para ter um impacto maior sobre a população, a verificação se a ilha tem material de protecção em quantidade suficiente, a disponibilidade de ‘stock’ de materiais de protecção dos profissionais de saúde, o sistema sanitário para enfrentar a emergência são outras questões analisadas.

Segundo o documento, o hospital tem um espaço destinado ao isolamento de eventuais casos suspeitos e positivos, assim como tem à disposição ventiladores, referiu o inquérito.

De acordo com a mesma fonte, a delegação do ICCA suspendeu os seus serviços durante o estado de emergência e como a delegação da ilha do Fogo não dispõe de serviços de emergência a mesma continuou apoiando os beneficiários com atendimento à distância, sendo que algumas famílias mais vulneráveis receberam as cestas básicas desta instituição.

Já quanto à cadeia regional uma das principais dificuldades é a sobrelotação do estabelecimento prisional que conta actualmente com mais de 90 reclusos e a maior preocupação se prende com o risco de propagação do vírus e a situação de emergência, assim como fazer respeitar as normas de distanciamento social entre os reclusos.

Uma das medidas adoptadas para limitar a difusão do novo coronavírus (covid-19) foi o cancelamento de visitas familiares e em alternativa são permitidas conversas telefónicas com os familiares, no período de manhã até ao regresso gradual das visitas, respeitando sempre as medidas de prevenção e limitando o número de visitantes.

A proibição das visitas tem algum impacto para os reclusos, sobretudo nos produtos de higiene pessoal, porque muitos desses produtos eram disponibilizados pelos familiares e neste momento não podem fornecê-los.

O inquérito às instituições parceiras visava identificar as principais dificuldades e avaliar a possibilidade de as apoiar, através do plano de contingência elaborados pelos projectos Rotas do Fogo e Pessoas, que vão disponibilizar parte dos seus recursos para a aquisição de alguns materiais para protecção pessoal, como luvas, máscaras e álcool gel para as comunidades com mais dificuldades.

JR/HF/ZS

Inforpress/Fim

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