Covid-19/Fogo: Asdenova despede 20 dos 45 trabalhadores devido a situação criada pela pandemia da covid-19

São Filipe, 25 Abr (Inforpress) – A empresa Asdenova, que resultou da transformação da Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE) na Fundação Padre Ottavio Fasano, vai despedir, a partir de 01 de Maio, 20 dos seus 45 trabalhadores.

A empresa Asdenova, que passou a gerir todos os projectos criado para gerar receitas para sustentar os projectos solidários, nomeadamente a aldeia turística Casa do Sol, Adega de Monte Barro,  devia iniciar as funções a partir de 01 de Abril, mas foi apanha pela “turbulência” criada pela pandemia de novo coronavírus (covid-19), segundo a administradora, Maria Graça.

Esta apontou que existe uma situação conjuntural, e que não é novidade para nenhum trabalhador e para a própria ilha, de que há dois anos, quando assumiu a administração da ASDE, a Casa do Sol estava na eminência de ser fechada, o que não aconteceu devido aos “ganhos extraordinários” obtidos.

“Antes era uma dependência extrema de Itália que envia dinheiro mensal para pagamento de funcionários, de energia, água e tudo mais, mas ultimamente deixou de os enviar e fizemos os pagamentos devido ao aumento nas receitas, na ordem dos 45 a 50 por cento (%)”, apontou Maria Graça.

Esta avançou que neste momento como consequência directa da pandemia de novo coronavírus, a Casa do Sol está fechada, a Casa de Amizade, que é uma pensão de quatro estrelas em Santa Cruz (Santiago), que suporta a Casa Manuela Irgher,  que apoia jovens mães solteiras, está também fechada, “não há grandes saída” de vinhos, primeiro porque a produção foi fraca e segundo com redução de pessoal motivado pelo estado de emergência não se pode fazer muita coisa.

Sobre a distribuição de água engarrafada, Maria Graça avançou que apesar da existência de directrizes do Governo para circulação das empresas de distribuição de alimentação e produtos de primeira necessidade, a Asdenova aguarda uma autorização desde 01 de Abril, data em que foi enviado o pedido de autorização de circulação ao Serviço de Protecção Civil.

Assim com a actividade turística parada, dificuldade na distribuição de água e de outras situações, a empresa não pode manter os trabalhadores na totalidade, adiantando que hoje, com esforço, efectuou o pagamento do salário do mês de Abril, mas no próximo mês terá de começar a funcionar com um staff mínimo.

Por aquilo que está a passar noutros países a nível mundial e das histórias da pandemia, esta situação não vai ser resolvida nos próximos meses, os voos nacionais e internacionais não serão restabelecidos a curto prazo e mesmo a época alta que aconteça por ocasião do Natal e fim do ano pode estar comprometida, porque ainda não se vai ter turistas, não perspectiva outro cenário senão o despedimento de parte dos trabalhadores.

Na carta enviada aos trabalhadores, a administração da Asdenova sublinhou que o despedimento pode ser temporário e que na altura da retoma das actividades serão privilegiados esses trabalhadores que estavam engajados no projecto, adiantando que compreende a situação dos trabalhadores, mas que não existe alternativa porque a própria Itália, que foi sempre o sustento dos projectos, embora nos dois últimos anos com menor intensidade, não pode fazê-lo nesta altura.

As actividades meramente de carácter solidário da Fundação Padre Ottavio Fasano, com a Casa Manuela Irgher que acolhe neste momento cinco jovens mães solteiras e sete crianças, continua a funcionar, assim como o projecto para pescadores da região Fogo/Brava que dispõe de um financiamento de Itália, para que quando terminar a situação pode ser retomada na normalidade.

Segundo a mesma fonte, a empresa está a negociar com os trabalhadores a modalidade de compensação pelos anos de serviço prestado a antiga ASDE, assegurando os seus direitos, segundo o estatuído no Código Laboral em vigor.

JR/AA

Inforpress/Fim

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