Covid-19: FAO e União Africana comprometem-se a proteger a segurança alimentar face à crise

Cidade da Praia, 18 Abr (Inforpress) – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a União Africana (UA) comprometeram-se em apoiar o acesso das populações mais vulneráveis de África à alimentação e à nutrição durante esta crise, causada pela covid-10.

Ambas as organizações e os seus parceiros internacionais, segundo uma nota enviada hoje à Inforpress, qualificaram o sistema alimentar e agrícola como “um serviço essencial que deve continuar a operar durante este período de confinamento, de emergência, de recolher e de outras medidas”.

Numa declaração conjunta, saída da reunião virtual co-organizada pela UA e pela FAO no dia 16 de Abril, estes comprometeram-se a apoiar o acesso das populações mais vulneráveis de África à alimentação e à nutrição, fornecendo aos africanos programas de protecção social, minimizando as interrupções para garantir a circulação e o transporte seguros de pessoas cujo trabalho é essencial, garantindo o transporte e a venda de bens e serviços e mantendo as fronteiras abertas para facilitar o comércio alimentar e agrícola no continente.

No seu discurso de abertura, o director-geral da FAO, Qu Dongyu, considerou ser necessário agir de forma rápida e estratégica para reduzir o impacto da pandemia do covid-19 na segurança alimentar em África.

“O encerramento de fronteiras tem o efeito de restringir o comércio e limitar a disponibilidade de alimentos em muitos países, particularmente aqueles que dependem da importação de alimentos”, afirmou Qu Dongyu, que elogiou as medidas para se evitar as interrupções nas cadeias de abastecimento de alimentos.

Por sua vez, a ministra da Agricultura, Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural da África do Sul, país que actualmente preside a UA, Angela Thoko Didiza, alertou contra qualquer medida que possa enfraquecer o comércio inter-regional.

Durante esta reunião moderada pela Comissária da UA para a Economia Rural e a Agricultura Josefa Sacko estiveram presentes todos os 55 Estados-membros, incluindo 45 ministros.

Vários ministros intervieram para expor os desafios colocados pela pandemia numa região do mundo onde um quinto (1/5) da população sofre de desnutrição.

Fazendo eco destas preocupações, o comissário Europeu para a Agricultura, Janusz Wojciechowski, apresentou a assistência financeira da UE para a África, que deverá ultrapassar os 20 bilhões de dólares.

Simeon Ehui, do Banco Mundial, também detalhou várias iniciativas de apoio, incluindo a possibilidade de reconverter 3,2 bilhões de dólares em fundos ainda não comprometidos.

A mesma nota dá conta que em nome do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Martin Fregene deu alguns detalhes de um programa de resposta ao covid-19, que incluirá suporte técnico e financeiro.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou as 1000 nas últimas horas, com quase 20 mil casos registados em 52 países, revela a última actualização dos dados da pandemia no continente.

Segundo o boletim do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), nas últimas 24 horas, o número de mortes registadas subiu de 961 para 1.016, enquanto as infecções aumentaram de 18.333 para 19.895.

O número de pacientes recuperados da infecção passou de 4.352 para 4.642.

O norte de África mantém-se como a região mais afectada pela doença com 8.746 casos, 743 mortes e 1.829 doentes recuperados.

Na África Ocidental, há registo de 4.404 infecções, 118 mortes e 1.233 doentes recuperados.

A pandemia afecta 52 dos 55 países e territórios de África, com cinco países – África do Sul, Argélia, Egipto, Marrocos e Camarões – a concentrarem mais de metade das infecções e mortes associadas ao novo coronavírus.

AM/CP

Inforpress/Fim

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