Covid-19: Embaixada em Portugal atenta ao impacto na comunidade que deverá ser “enorme” – Eurico Monteiro           

Lisboa, 05 Mai (Inforpress) – A Embaixada de Cabo Verde em Portugal alterou a sua actuação para continuar a acompanhar os cabo-verdianos, principalmente os doentes, e está preocupada com o “impacto enorme” que a pandemia de covid-19 deverá ter no rendimento destas famílias.

Numa altura em que a covid-19 causou a morte de um cabo-verdiano em Portugal, o embaixador de Cabo Verde neste país, Eurico Monteiro, em entrevista à Inforpress, explicou as mudanças causadas pela   pandemia.

Neste sentido, estão a ser feitas diligências para assegurar o transporte de medicamentos e equipamentos sanitários de Portugal para Cabo Verde, uma garantia da embaixada, que assegura que acções semelhantes têm sido realizadas “em estreita relação” com o Ministério da Saúde.

Eurico Monteiro realçou que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, tem, igualmente, solicitado apoio ao seu homólogo português para “agilizar e facilitar ainda mais a colaboração nesta fase muito complicada”, e que tem tido respostas “muito positivas”.

O diplomata contou que a situação pandémica veio a alterar o ‘modus operandi’ da embaixada, particularmente a relação com os doentes que estão em Portugal ao abrigo dos protocolos de transferência, tendo tomado uma série de medidas de modo a garantir a subvenção dos subsídios mensais, como a criação de piquetes de deslocação às residências ou pagamentos através do sistema bancário.

Neste momento, prosseguiu, só aqueles que não sabem ler ou escrever recebem pessoalmente os pagamentos, mas cumprindo as regras de distanciamento social. Ainda para evitar as deslocações à embaixada, foram suspensas a entrega de documentos necessários ao aproveitamento de benefícios fiscais, como a certificação das receitas de medicamentos e entregas de relatórios médicos probativos.

Questionado se pode quantificar o número de infectados de nacionalidade cabo-verdiana, o diplomata explicou que não há dados quantitativos sobre nacionais com covid-19, uma vez que não existe a recolha de dados específicos sobre a nacionalidade dos doentes.

Entretanto, disse saber com um “grau razoável de segurança” que existem “muito poucos casos” e que já foram objecto de notícia na zona do Porto, abrangendo dois cabo-verdianos, tendo um deles falecido.

Ao analisar o impacto da covid-19 sobre a comunidade cabo-verdiana, Eurico Monteiro referiu que, apesar de esta estar perfeitamente integrada, o número de desempregados pode vir a aumentar e que estão a ser tomadas medidas com recurso a vários programas para mitigar a situação:

“Mas vamos acompanhando porque o impacto no emprego e no rendimento das famílias é enorme, não obstante os programas anunciados. O turismo, a restauração, a construção civil, os transportes, são sectores altamente penalizados. Não temos grande capacidade de resposta, obviamente, perante a magnitude do problema, mas em situações mais extremas intervimos para evitar maiores danos”, realçou.

Quanto ao regresso de cabo-verdianos ao arquipélago, Eurico Monteiro salientou que muitos já regressaram e vão regressar mais alguns, mas que há neste momento vários constrangimentos ligados à logística da quarentena.

“É uma situação complicada e difícil de ser gerida, e Cabo Verde vai fazendo o que pode”, precisou.

“Agora manda o coronavírus! Esperemos que seja descoroado muito brevemente e que o seu reinado seja de muito curta duração, e que possamos assim regressar ao mundo da normalidade das relações entre os países”, finalizou o embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro.

Neste momento vigora em Portugal a situação de calamidade, o que significa medidas menos restritivas, mas passa a ser obrigatório o uso de máscaras ou viseiras em locais públicos, estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, nos estabelecimentos de ensino, bem como, nos transportes públicos.

É mais um passo para a retoma da normalidade, numa altura em que segundos os dados oficiais a covid-19 já infectou cerca de 25.524 pessoas e fez 1.063 mortos em Portugal.

Inforpress/Fim

 

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