Covid-19: CPLP perde oportunidade de implementar uma agenda ambiciosa – Abraão Vicente

Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, lamentou hoje o facto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não ter conseguido implementar uma agenda que a todos os níveis “era ambiciosa”.

Cabo Verde assumiu em 2018 a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para um período de dois anos, tendo escolhido como lema da sua presidência “As Pessoas. A Cultura. Os Oceanos”.

Devido à pandemia do novo coronavírus, o arquipélago viu condicionada a execução da agenda que pretendia implementar durante estes dois anos.

Em declarações à Inforpress, Abraão Vicente lamentou o facto de não ter havido um maior engajamento dos países da CPLP para que possam ter cumprido aquilo que é a agenda da cultura da presidência de Cabo Verde.

“ Organizar bienais, organizar ou criar mercados de circulação livre para todos os agentes culturais, nomeadamente, isenção de vistos, isenção de tarifas alfandegárias, um quadro fiscal comum não seria nunca tarefa levada por um país. Eu creio que a CPLP, pós Covid-19, terá que ser repensada, do ponto de vista político e do ponto de vista da sua agenda executiva”, acentuou.

Para o governante, o actual convénio em que os titulares de cada um dos sectores não possam articular de uma maneira executiva e não possam ter acesso a recursos transaccionais para implementar aquilo que é agenda colectiva não satisfaz.

Conforme referiu, Cabo Verde jamais poderia financiar sozinho, aquilo que foi uma agenda apresentado de uma forma “muito alargada e muito ambiciosa.”

“Creio que está a ser impossível cumprir toda a nossa agenda da CPLP e creio que, de certa forma, perdemos. ACPLP perdeu uma oportunidade de conseguir implementar uma agenda que era, a todos os níveis, ambiciosa e que foi desenhada a cultura como o pilar da nossa presidência. Acabamos por não cumprir todo aquilo que era o nosso objectivo, o nosso plano de actividade”, lamentou.

Questionado se há possibilidade da presidência de Cabo Verde passar a sua agenda para Angola, que irá assumir a presidência este ano, Abraão Vicente disse que este país irá apresentar o seu próprio plano executivo e que não se sabe se a cultura será um dos pilares da sua presidência.

Sendo que a agenda apresentada por Cabo Verde, segundo o ministro, não é uma agenda do Governo, mas uma agenda proposta à CPLP, o titular da pasta da Cultura diz acreditar que grande parte daquilo que é o quadro conceptual e quadro jurídico que tem no mercado único continuarão a ser válido.

“Tudo faremos para que, assim que tivemos um contacto presencial ou uma reunião mais aprofundada, com a nova ministra da Cultura de Angola, nós podemos apresentar sugestões e podes crer que na passagem de presidência de Cabo Verde para Angola, iremos enviar todos os documentos e todas as estratégicas que tínhamos para implementar na nossa agenda”, assegurou.

No quadro da mobilidade, estava prevista, em Abril, na Cidade da Praia, uma reunião extraordinária do conselho de ministros (ministros dos Negócios Estrangeiros ou Relações Exteriores) da CPLP, mas devido a situação da covid-19 ainda não se sabe para quando a realização deste encontro.

Está prevista ainda a assinatura, em Julho, em Luanda, Angola, de uma convenção-quadro sobre a mobilidade na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Integram a CPLP, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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