Costa defende “pontes” entre UE, países africanos e América Latina perante tensões e guerras

Bruxelas, 26 Out (Inforpress) – O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje a “construção de pontes” entre a União Europeia (UE), África e América Latina, numa altura de guerras, ataques terroristas e criação de muros, pedindo aposta no “desenvolvimento e paz”.

“Hoje, mais do que nunca, é necessário construir pontes. Quando alguns erguem muros, quando outros começam guerras, quando outros fazem ataques terroristas, nada como darmos as mãos, ajudar a construir a paz e o desenvolvimento, e a paz e o desenvolvimento só se constroem se a propriedade for partilhada”, declarou o chefe de Governo.

Falando na cerimónia de encerramento do Fórum Global Gateway, que juntou em Bruxelas na quarta e quinta-feira representantes dos governos da UE e de todo o mundo, do sector privado e da sociedade civil, António Costa salientou que “desafios globais exigem respostas globais”, numa altura de guerra da Ucrânia causada pela invasão russa, às tensões no Médio Oriente e ao ataque terrorista na semana passada em Bruxelas.

“Só com uma forte e estreita parceria à escala global aproveitaremos bem as oportunidades que a transição digital e ecológica podem dar e contribuir para promover o desenvolvimento sustentável, a capacitação e o comércio”, destacou o primeiro-ministro.

Em causa está a iniciativa europeia Global Gateway, criada para permitir investimento ao nível mundial, especialmente em regiões menos desenvolvidas de África e da América Latina, em questões como os transportes, a digitalização, a energia, a saúde, a educação e a investigação.

António Costa destacou “exemplos concretos” do que as empresas portuguesas estão já com parceiros africanos e latino-americanos, como os corredores logísticos digitais entre o porto de Sines aos portos do Atlântico Sul em Angola ou no Brasil e a nova rota marítima transatlântica com o México.

“Além de promover a resiliência energética e industrial da Europa, estes projectos criarão riqueza e emprego nos parceiros estratégicos em África e na América Latina garantirão a partilha de tecnologia e ‘know-how’ e contribuirão para transições digitais e climáticas mais justas dos dois lados do Atlântico”, elencou.

António Costa defendeu ainda que a UE tem “vontade de trabalhar em parceria com outros parceiros, também na Ásia, outros países do continente africano e outros países da América Latina e também em outras áreas para além das infra-estruturas e do equipamento dos transportes”, como a saúde e as energias renováveis.

Ao nível europeu e nacional, “temos de inovar no que diz respeito aos mecanismos financeiros para apoiar investimentos da Global Gateway de uma forma sustentável, um modelo que Portugal já está a aplicar no quadro das nossas relações bilaterais com Cabo Verde, a transformação da dívida pública em investimentos climáticos”, concluiu.

António Costa está em Bruxelas para participar num Conselho Europeu de dois dias, que hoje começa.

Os líderes da União Europeia reúnem-se hoje e sexta-feira em Bruxelas para debater tensões no Médio Oriente, visando uma pausa humanitária em Gaza e negociações sobre uma solução de dois Estados, além de desafios europeus como migrações e orçamento.

Inforpress/Lusa

Fim

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