Cooperação sino/africana: “Trabalhemos de mãos dadas na realização do magnífico sonho” – Xi Jinping

Cidade da Praia, 30 Set (Inforpress) – “Palavra dada é palavra honrada”, eis o slogan com o qual a China assinala o primeiro aniversário da realização da Cimeira de Beijing e do Fórum China-África, cuja cerimónia ocorreu em Setembro de 2018 no Grande Palácio do Povo em Pequim.

A efeméride é recordada num extenso artigo editado, on line, pela agência estatal de notícias chinesa – Xinhua, cujos extratos de maior realce a Inforpress recuperou hoje, coincidindo também com as vésperas da celebração do Dia Nacional da China, um marco indelével da Revolução Chinesa, ocorrida em 1949 e que provocou profundas transformações nesse país apelidado também de “gigante asiático”, com repercussões que até hoje se fazem presente no quotidiano de seu povo.

Conforme destaca a Xinhua no artigo em apreço, a China e a África, dois países dotados de histórias esplêndidas e de velhas civilizações, estão estritamente ligados pelo mesmo destino e, apesar da longa distância geográfica que os separa, se propõem a disfrutar de “belas perspectivas de desenvolvimento”.

A proposta avançada por ocasião da Cimeira pelo Presidente chinês, Xi Jinping, foi a de se “construir uma comunidade de destino China-África ainda mais sólida”, no sentido de dar à humanidade um belo exemplo na construção de uma comunidade de destino.

Com efeito, sublinha o mesmo texto da Xinhua, transcorreu já um ano sobre a data da realização da Cimeira de Beijing e do Fórum da Cooperação sino-africana (FSCA) que foi coroado de sucesso, onde o Presidente Xi Jinping traçou um novo plano e gizou indicações a seguir em vista ao desenvolvimento das relações sino-africanas na nova era.

Partilha de responsabilidade, uma cooperação ganhadora, de felicidade para todos, prosperidade cultural, segurança comum e harmonia entre o homem e a natureza constituem, entre outros, os pontos gizados nessa ocasião, e durante o ano passado a China e a África trabalharam lado a lado na perspectiva de fazer avançar a “passo gigante” na via da construção de uma comunidade ainda mais sólida, destaca Xinhua.

“Segurança, resultados efectivos, amizade e boa-fé, fazem do nosso sonho a realidade”, sublinha a dado passo o artigo da Agência Xinhua, ao mesmo tempo que exibe trechos de reportagens levadas a cabo nos diferentes países africanos, inserindo entrevistas com a população beneficiada com projectos estruturantes que permitiram mudanças profundas na sua vida quotidiana.

Anja é um pequeno produtor de ovos em Madagascar, cuja história é trazida para este palco. Todos os dias ele tinha o compromisso de colocar mais de mil ovos no mercado da cidade de Antananarivo, percorrendo para o efeito uma estrada caótica de 10 quilómetros que lhe consumiam cerca de uma hora de tempo e mais de 10% (por cento) de ovos partidos.

Com a ajuda do governo chinês, em Outubro do ano passado deu-se início a construção de uma nova estrada que passa mesmo em frente da casa de Anja, facto que lhe permite agora realizar o sonho de se “enriquecer…”.

“Aguardo impacientemente pela conclusão dos trabalhos”, desabafa Anja a pensar já na possibilidade de aumentar a produção e fazer crescer o seu negócio.

Um outro exemplo retratado como objecto de resultados concretos, sinceridade e boa-fé na cooperação sino-africana com benefícios directos para o povo, refere-se à equipa médica chinesa “Action Lumière” (luz de acção) que levou a cabo campanhas de intervenções cirúrgicas gratuitas destinadas a pacientes com cataratas em Burkina Faso, ou o projecto de acesso à televisão via satélite que, com o apoio chinês, permitiu a 10 mil famílias em 500 vilas de Zâmbia acederem gratuitamente às emissões.

Em Kampala, no Uganda, técnicos chineses instalaram o ano passado na aldeia infantil SOS de Kakiri, equipamentos de televisão digital, iniciativa que decorreu no âmbito do projecto “Acesso à televisão via satélite para 10.000 vilas”, um dos propósitos da cooperação sino-africana do domínio das trocas humanas e culturais anunciadas durante a Cimeira de Johannesburgo (África do Sul), no Fórum da Cooperação sino-africana em 2015.

Face à sequência dessas realizações, o artigo da Xinhua enfatiza que a “acção é a língua mais convincente”, numa alusão clara às situações verificadas recentemente, segundo revela, de tentativas de “desacreditar” a cooperação sino-africana.

Em vista disso, prossegue o mesmo artigo, inúmeros africanos perspicazes tomaram a iniciativa de “refutar” essas alegações sem fundamento, nomeadamente, de que a China está a montar uma armadilha do endividamento no continente africano, e a estabelecer o “néo-colonialismo”, ao conceder crédito a países financeiramente débeis.

A título de exemplo das refutações registadas a esse propósito, sita o caso do representante permanente da União Africana na China, Mohamed Osman, ao declarar que a cooperação entre China e África “repousa no consenso da igualdade, no respeito e vantagens recíprocas”.

Também é citado no âmbito desse mesmo propósito, o secretário geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação do Burkina Faso, Seydou Sinka, quem afirmou que as relações sino-africanas “não têm num carácter obrigatório…”

A par disso, vários outros exemplos de casos de cooperação com sucesso em África são apontados, em países como Uganda, Rwanda, Marrocos, Côte d`Iviore, Moçambique e outros em que sobretudo empresas e os jovens se têm engajado em iniciativas de formação nas áreas de tecnologia electrónica, iniciativas que visam a promoção da indústria, interconexão de infraestruturas, facilitação de comércio, desenvolvimento verde e reforço de capacidades.

Porém, sublinha uma vez mais o artigo em apreço, enfatizando que “palavra dada é palavra honrada”, para ilustrar que no curso espaço de um ano, na sequência da Cimeira de Beijing do FCSA, uma série de realizações no quadro da cooperação sino-africana já foram concretizadas.

A criação do Instituto de Estudos sobre a África, a realização da reunião dos coordenadores da implementação das acções saídas da Cimeira de Beijing, o Primeiro Fórum China-África sobre a Paz e a Segurança, são alguns exemplos apontados como “importantes” e que testemunham a “sinceridade” da China em querer fazer avançar as oito grandes iniciativas de parceria de desenvolvimento, onde se destacam a indústria, infraestruturas, agilização das trocas comerciais e desenvolvimento sustentável, à luz do slogan uma “cooperação ganhadora”.

Enquanto isso, dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, revelam que as trocas comerciais entre a China e o continente africano que em 2000 se situavam á volta dos 10 milhões de dólares, actualmente rondam os 210 milhões de dólares, sem contar também com o aumento exponencial do investimento directo chinês.

Com laivos de poesia, uma prática muito comum entre os chineses na sua forma de abordar o crescimento e o desenvolvimento, o mesmo artigo da Xinhua cujos extratos a Inforpress está a apresentar, transcreve a dado passo, que “(…) a chuva primaveril rega a terra, os grãos se desenvolvem e dão lugar aos frutos”, para depois parafrasear que graças às oito iniciativas traçadas para a cooperação sino-africana, “cada vez mais os africanos disfrutam de sonhos mais coloridos e um futuro pleno de oportunidades”.

Neste caso são apontados dois exemplos concretos de desenvolvimento na área da agricultura citando primeiro o caso de Marrocos que, graças ao apoio chinês, conseguiu expandir a sua produção no domínio da vinicultura, a ponto de o ano passado, no mês de Novembro, ter podido já participar na primeira Exposição Internacional de Importação da China, introduzindo vinho marroquino no mercado asiático e, em particular no chinês.

O segundo caso de sucesso a nível da agricultura em África é ilustrado com um exemplo recolhido em Madagáscar, onde o Centro Nacional chinês de Pesquisa de Arroz Híbrido instalou um sub centro de pesquisa, e um agricultor local de arroz, de 50 anos de idade, se transformou agora num “super-produtor” de arroz chinês.

A esse propósito, revela o mesmo artigo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Côte d`Ivoire, Marcel Amon-Tanoh, afirma que “o princípio do desenvolvimento centralizado no povo” é o conceito básico das oito maiores iniciativas que sustentam a cooperação sino-africana:

“Reduzir a pobreza graças ao desenvolvimento, promover o emprego para aumentar os rendimentos, trabalhar e viver em paz”, medidas essas que demonstram a sinceridade do   projecto em apreço, que se estriba em resultados concretos.

Em jeito de paráfrase, o texto da Xinhua refere ainda que “a China é o maior país do mundo em desenvolvimento, e a África, o continente reagrupando o maior número de países em desenvolvimento”.

Eles (China e África), prossegue, conheceram passos históricos e percursos de luta similares e se encontram confrontados com as mesmas tarefas de desenvolvimento.

“(…) Neste novo século, face às mudanças jamais conhecidas no mundo há um século, a China e a África, ligados pela parceria estratégica global, vão colaborar de uma forma mais estreita em vista a abrir lugar para uma ordem internacional mais inclusiva e mais justa”, enfatiza.

Nesse extenso texto que passa a “pente fino” o relacionamento da China com a África, vem também à tona a iniciativa “Uma faixa, uma rota” lançada em 2013 pelo Presidente Xi Jinping que se propõe articular também com os objectivos de desenvolvimento da União Africana e das Nações Unidas.

Também não passa despercebido, por exemplo, os problemas ambientais a nível mundial, nomeadamente a mudança climática, domínio onde a China se propõe colaborar na promoção e realização dos objectivos de desenvolvimento durável fixados pelas Nações Unidas no horizonte 2030.

Inforpress/Xinhua/FP

Fim

 

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