Contas externas com saldo de 133 milhões de euros – Relatório de Política Monetária do BCV

Mindelo, 27 Abr (Inforpress) – As contas externas tiveram um saldo positivo de 133 milhões de euros em 2019, determinando um aumento do stock das reservas internacionais líquidas para 661 milhões de euros, diz o Relatório de Política Monetária do Banco de Cabo Verde.

De acordo com o documento publicado pelo BCV, esse aumento de reservas internacionais líquidas do País de 661 milhões de euros, corresponde a 6,9 meses de importações de bens e serviços.

O relatório indica que este desempenho se deve à melhoria da balança corrente, reflexo sobretudo do aumento das exportações de serviços e das transferências dos emigrantes e oficiais, numa conjuntura de redução dos preços das mercadorias importadas.

Com efeito, acrescenta o documento, o excedente da balança de serviços cresceu 26 por cento (%) em 2019, impulsionado pela expansão das exportações de transporte aéreo (em 37%) e de viagens (8%), associadas, por um lado, aos resultados da política comercial da companhia aérea nacional, dissipados os efeitos das irregularidades operacionais ocorridas no segundo semestre de 2018.

Por outro, sublinhou, associou-se à dinâmica da procura turística e de eventos desportivos e políticos regionais realizados no país.

Segundo o BCV, as remessas dos emigrantes cresceram cerca 7% em 2019, o que compara ao crescimento 3% de 2018.

Esta evolução, sustentou, é explicada pelo crescimento das transferências em divisas dos EUA (em 18,6%), da França (10,5%) e de Portugal (6,7%), que “são países que acolhem a maioria dos emigrantes cabo-verdianos e cujos mercados de trabalho registaram melhorias consistentes nos últimos anos”.

“A apreciação do dólar face ao euro e o contexto de mais um ano de seca terá também contribuído para o aumento das remessas”, lê-se no relatório que realça que os donativos aos governos central e locais, por seu turno, cresceram cerca de 26% em 2019, recuperando de uma queda de 19%, em larga medida, “resultado da duplicação da ajuda orçamental da União Europeia”.

Conforme o banco central, a balança de rendimento primário também “contribuiu positivamente para a melhoria da balança corrente no ano passado”, ao registar uma “redução dos juros pagos pelos bancos por seus passivos externos (maioritariamente constituídos por depósitos dos emigrantes, cuja remuneração vem continuamente a reduzir) ”.

E ainda, ajuntou, contribuiu para um aumento da rendibilidade das reservas internacionais líquidas, numa conjuntura de reforço, pelo banco central, de investimentos em títulos governamentais, em euro e dólar, e em depósitos a prazo, em dólares.

No entanto, de acordo com o Relatório de Política Monetária do BCV, a balança de bens deteriorou-se, comparativamente a 2018, pese embora o abrandamento do ritmo de crescimento das importações de bens de 8,5 para 2,3%.

“A redução das exportações de mercadorias (pescado, principalmente) na ordem dos 13% (o que compara ao aumento de 44% em 2018) e a moderação das reexportações de combustíveis e víveres nos portos e aeroportos do país (cresceram 8%, o que compara ao crescimento de 36% de 2018) foram determinantes para o agravamento do défice da balança de bens”, explica.

Na balança financeira registou-se um aumento de 4% dos influxos líquidos de financiamento da economia, impulsionado principalmente por desembolsos extraordinários de ajuda orçamental pelo Banco Mundial e pelo Banco Africano de Desenvolvimento, no montante aproximado de 35 milhões de euros.

“Os influxos de investimento directo estrangeiro (investimentos de estrangeiros em Cabo Verde subtraídos de investimentos de cabo-verdianos no exterior) reduziram cerca de 8% (tinham reduzido 7% em 2018), devido a desinvestimentos de promotores estrangeiros em empresas com participação do Estado”, avança acrescentando que “excluindo os desinvestimentos, os influxos de investimento directo estrangeiro em Cabo Verde cresceriam cerca de 25%”.

O BCV aponta também que o capital externo investido no país em 2019 destinou-se maioritariamente à construção de empreendimentos turísticos nas ilhas do Sal, de São Vicente e da Boa Vista.

De acordo com o relatório, “o melhor desempenho da balança de pagamentos traduziu-se na melhoria da posição deficitária de investimento internacional do país, de 154 para 146% do PIB”.

Diz ainda que o aumento do stock de activos de reserva (reservas internacionais líquidas do país) foi duas vezes superior ao aumento de stock dos passivos geradores de dívida (empréstimos contratados junto ao exterior, sobretudo pelo Estado), limitando a deterioração da posição financeira do país face ao exterior, em termos absolutos, a 2.083 milhões de escudos.

Enquanto isso em 2018, a posição financeira externa do país registou uma deterioração de 20.167 milhões de escudos, indica o Relatório de Política Monetária do BCV.

CD/CP

Inforpress/Fim

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