Centenário Amílcar Cabral: PAICV acusa deputados do MpD de “má-fé e desrespeito” pelo legado universal do herói nacional

Cidade da Praia, 02 Nov (Inforpress) – O deputado Nacional do PAICV Démis Lobo Almeida acusou hoje os deputados do MpD de “má-fé e desrespeito” pela memória e o legado universal de Amílcar Cabral por terem reprovado o projecto de resolução do seu centenário.

Démis Lobo, que falava em conferência de imprensa promovida pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), para pronunciar sobre a rejeição da resolução sobre as comemorações do centenário de Amílcar Cabral, em 2024, afirmou que a nação cabo-verdiana e o mundo também estão “estupefactos” diante desta decisão dos deputados.

Este político, esclareceu ainda que os deputados da oposição da Assembleia Nacional, tanto do grupo parlamentar do PAICV e como os da UCID (União Cabo-verdiana Independente e Democrática), votaram a favor, mas que somente os deputados do MpD (Movimento para a Democracia) chumbaram este projecto.

A mesma fonte elucidou ainda que, ao longo de todo o processo legislativo deste projecto, o MpD mostrou a sua profunda “má-fé e desrespeito” pela memória de Amílcar Cabral, começando por exigir que fossem retiradas deste projecto de resolução todas e quaisquer referências ao percurso deste combatente.

“Não aceitou a constituição de Comissão Nacional para as comemorações, que teria uma comissão, a ser presidida pelo Presidente da República, ao mesmo tempo, não aceitou também a instituição de um programa oficial das comemorações, bem como, dotar as comemorações de qualquer orçamento”, completou o deputado .

Nesta linha, assegurou que o PAICV cedeu todos estes pontos, na perspectiva de salvar o essencial, atendendo a estas “irrazoáveis exigências”.

“Mesmo assim, o MpD , faltando com a sua palavra e os compromissos assumidos, voltou a fazer novas, desproporcionais e abusivas exigências, impôs que a resolução fosse ainda mais minimalista, que não fizesse referência a qualquer simples convite ou encorajamento a quaisquer entidades públicas ou privadas, no país ou na diáspora, para celebrarem o centenário de Amílcar Cabral, e que o projecto de Resolução apenas referisse que é proclama de 2024”,afirmou, salientando que o PAICV voltou a ceder, aceitando, por imposição do MpD, uma resolução ultra minimalista.

Mas, mesmo assim, Démis Lobo, frisou que o MpD, depois de ter aceite o agendamento desta resolução em regime de urgência, de ter imposto o “esvaziamento” do mesmo quase na totalidade, e de ter pedido quatro vezes para que fosse retirado, alegadamente na perspectiva de se consensualizar “o dito pelo não dito “chumbando, sem apelo e nem agravo.

 

Por outro lado, o deputado alegou ainda que os seus homólogos do MpD chumbaram o projecto, mas que é o presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, líder da maioria, quem tem a “responsabilidade directa” na reprovação desta resolução, explicando que, por acção ou por omissão, permitiu que o grupo parlamentar do seu partido materializasse este chumbo, em clara contradição com as afirmações que vem fazendo de que apoia o objecto desta resolução, defendendo que é preciso fazer paz com a história, seus protagonistas e heróis nacionais.

Démis Lobo finalizou que o MpD tenta, mas que não vai conseguir sanear a história de Cabo Verde, da África e da Humanidade, assim como, o papel central que Amílcar Cabral desempenhou no processo de independência e de autodeterminação de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, e de vários países Africanos.

DG/ZS

Inforpress/Fim

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