Câmara de Comércio de Sotavento “apoia a cem por cento” criação do fundo soberano (c/áudio)

Cidade da Praia, 04 Abr (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento (CCSS), Jorge Spencer Lima, disse hoje que a associação empresarial apoia a “cem por cento” a criação do Fundo Soberano de Garantia do Investimento Privado.

O presidente da CCSS nega que organizações internacionais se recusam a financiar empresas nacionais, mesmo com a garantia do Estado.

“Isto não corresponde à verdade no total. O problema que se põe é o da capacidade de os cabo-verdianos darem contas de garantia aos empréstimos”, precisou Spencer Lima, para quem estas dificuldades se colocam tanto a nível internacional como nacional.

Revelou que, recentemente, vários projectos em Cabo Verde foram financiados por bancos internacionais, reiterando que a questão que se põe terá sempre a ver com as garantias que os empresários “terão que dar” e a medida da criação do fundo soberano, enfatiza, “vem no sentido de ajudar as empresas cabo-verdianas”.

Segundo ele, quando um investidor recorre ao banco para financiamento de um determinado projecto e, se este não tem a capacidade de garantia do valor que pede, a entidade bancária “não dá o dinheiro”.

O líder da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento fez essas declarações à imprensa depois de ter sido ouvido na Comissão Especializada de Finanças e Orçamento do Parlamento, em que participaram também os deputados da Comissão Especializada de Economia e Ambiente e Ordenamento do Território.

A Câmara do Comércio, de acordo com seu responsável, há muito tempo vinha reclamando da necessidade de “melhorias no sistema financeiro cabo-verdiano”, sobretudo no sentido de se encontrar soluções para os problemas de acesso a financiamento para as empresas.

“Daí só podemos nos regozijarmos quando o Governo toma medidas no sentido da criação do Fundo Soberano de Garantia do Investimento Privado, com vista a ajudar as empresas cabo-verdianas a investir, a desenvolver e a criar riqueza”, indicou, acrescentando que desta forma permitirá criar postos de trabalho.

Na sua perspectiva, “várias medidas têm sido tomadas a nível interno, nomeadamente no ecossistema financeiro, com vista à procura de soluções de financiamento, desde as microempresas passando pelas pequenas e médias empresas”.

“As medidas já tomadas estão a ter os seus efeitos positivos e a que agora se está a adoptar é dirigida unicamente às grandes empresas”, ressaltou Spencer Lima, referindo-se à criação do Fundo Soberano de Garantia do Investimento Privado.

Fez ainda saber que internamente a classe empresarial nacional tem “algumas dificuldades” em conseguir financiamento para “grandes projectos”.

Durante a audição, lamentou o facto de os grandes projectos em Cabo Verde, nomeadamente no sector do turismo, pertencerem, na sua grande maioria, aos investidores estrangeiros que chegam com apoio lá de fora.

“Não há nenhum país do mundo que se desenvolveu só com investimentos externos”, comentou, apontando que o “investimento das empresas cabo-verdianas é absolutamente necessário para a consolidação da economia nacional”.

“Aconteça o que acontecer, os cabo-verdianos não vão para lado nenhum. Nós vamos ficar aqui. Não arrumámos as malas e fugir nos primeiros problemas”, observou Jorge Spencer Lima, para depois adiantar que daí “essa necessidade de apoiar os cabo-verdianos”.

Na sua óptica, o investimento estrangeiro é necessário, deve ser acarinhado, mas, paralelamente a isso, é preciso que também “se apoie e se acarinhe o investimento nacional”.

Quanto à questão que o fundo soberano possa aumentar a dívida externa de Cabo Verde afirmou que se trata de um “falso problema”.

“Em relação à dívida externa cabo-verdiana, há uns que são críticos e outros que são defensores”, assinalou Spencer Lima acrescentando que aqueles que defendem “dizem que são dívidas concessionais”.

“A dívida externa cabo-verdiana foi assumida para o financiamento dos projectos e basicamente foi feita para infra-estruturação do país, mas com base em empréstimos concessionais”, salientou, evidenciando que a “palavra dívida não mete medo a ninguém”.

Na sua óptica, o que mete medo é ter dívida e não ser capaz de a pagar.

Jorge Spencer Lima mostra-se contra os que estão a “projectar o negativismo e o desastre” quando se referem à criação do fundo soberano.


LC/CP

Inforpress/Fim

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