Cabo Verde vai submeter a documentação sobre a escravatura ao Registo Internacional da Memória do Mundo da Unesco

Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – O Instituto do Arquivo Nacional de Cabo Verde socializou hoje a proposta de candidatura dos documentos sobre a escravatura ao Registo Internacional da Memória do Mundo da Unesco, que reverterá “grande valor” para o País, se for aprovado.

Em declarações à imprensa, à margem do lançamento do site www.arquivonacional.cv e da socialização da proposta de candidatura dos documentos sobre a escravatura ao Registo Internacional da Memória do Mundo da Unesco, o presidente do Instituto do Arquivo Nacional de Cabo Verde (IANCV), José Maria Borges, avançou que são um conjunto de documentos “bastante importantes” da história de Cabo Verde.

“(…) Obviamente esta candidatura a ser aprovada reverte grande valor para o País porque passará a ser uma documentação da humanidade, e isto para o arquivo vem mostrar o trabalho que é feito pelos arquivistas na organização e no tratamento dessa documentação e a torná-la disponível para acesso, para pesquisa”, ressaltou José Maria Borges.

A mesma fonte mostrou-se confiante que a candidatura será aceite, justificado pelo conjunto de actividades que o Arquivo Nacional vem desenvolvendo junto dos parceiros regionais, a nível da África, bem como internacional, destacando o “trabalho preponderante” da Comissão Nacional Memória do Mundo que está a trabalhar nesta documentação para sua submissão.

Paralelamente à socialização da candidatura, foi apresentado o novo site www.arquivonacional.cv que, segundo José Maria Borges, incorpora mais três grandes plataformas, o Aton, desenvolvido pelo Conselho Internacional dos Arquivos, que permitirá a difusão e acesso à documentação.

“A segunda plataforma COA para difusão de coleções de bibliotecas que permitirá às pessoas terem noção que tipo de coleções nós temos aqui no Arquivo Nacional e também uma terceira que é referente à escravatura, portanto temos três plataformas que estão incorporados no nosso site que permitirá às pessoas terem acesso a informação, a documentação”, explicou, sustentado que agora as pessoas poderão ter acesso a todos os serviços prestados pelo Arquivo Nacional, através do site.

Por sua vez, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que presidiu o evento, adiantou que se está num processo de consolidação institucional do papel do Arquivo Nacional para construção da identidade cabo-verdiana como nação.

Para o governante, a socialização dos dossier que podem ser apresentados a memórias do mundo, constitui um “avanço significativo”.

“Será um contributo de Cabo Verde para o estudo, para a humanidade, para o continente africano e para os afrodescendentes, mas também para consolidação daquilo que são os itens que nos levam a formatar a própria identidade nacional, qual o real peso do processo de escravatura na formatação da identidade, da nossa idiossincrasia, da nossa cultura, da língua crioula, da música crioula e da nossa posição estratégica no mundo”, concretizou Abraão Vicente.

O ministro lembrou ainda que Cidade Velha é Património da Humanidade, não pela herança judaica cristã, da matriz portuguesa/europeia, mas sobretudo, devido ao “grande contributo” dos vários povos africanos que passaram por este arquipélago.

TC/AA

Inforpress/Fim

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