Cabo Verde não será o País que dará pontapé de saída num novo debate de revisão do novo acordo ortográfico – Abraão Vicente

Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas afirmou hoje que Cabo Verde não será o País que dará o pontapé de saída num novo debate de revisão do novo acordo ortográfico, justificando que o arquipélago tem cumprido a sua parte.

Em entrevista à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial da Língua Portuguesa, Abraão Vicente reforçou que o País não vai liderar um assunto para o qual não tem todas as condições de levar a reforma até ao fim, pois este terá que ser uma solução a ser encontrada no quadro multilateral.

Cabo Verde ratificou o novo acordo ortográfico de língua Portuguesa em Dezembro de 2009, mas, entretanto, o acordo só entrou em vigor em Outubro de 2015, tendo o Governo anterior, liderado pelo Partido Africano de Independência de Cabo Verde, definido um período de transição de seis anos (até 2020).

Apesar de o Governo ter adoptado o novo acordo nos seus documentos oficiais e nos manuais de ensino, ainda muitos órgãos de comunicação social e algumas empresas no País não usam a nova grafia.

Abraão Vicente reafirmou que o País fez um investimento “bastante grande” na implementação do pacto do novo acordo ortográfico, por isso não pode deitar a baixo todo este investimento.

Por outro lado, afirmou que não é coerente que mudem os governantes nos países e se ponham em causa a revisão.

Neste sentido, afirmou, este novo Governo deu continuidade a este processo e não houve nenhuma alteração quanto à posição do País sobre o novo acordo ortográfico.

Contudo, o tutelar da pasta da Cultura sublinhou que enquanto os Estados não assumirem, de uma forma inequívoca, de que esta é uma reforma para avançar, não será o arquipélago a fazer isso.

“Os países que de facto são volumosos em termos de utilizadores e de produção literária, que são os casos de Brasil, Portugal, Angola, há muita intermitência”, disse, ajuntado que Cabo Verde não será o país que dará o pontapé de saída num novo debate para a revisão do novo acordo ortográfico.

Isto porque, assegurou, o País tem sido exemplar quando ao cumprimento daquilo que são os acordos internacionais, nomeadamente na questão da língua.

A liderança desse processo, segundo a mesma fonte, tem que ser dos países que económica e politicamente têm outros tipos de influência sobre essa matéria.

Abraão Vicente afirmou que em Cabo Verde, não sendo ainda obrigatório o uso da nova grafia, o Governo irá até ao final do mandato rever, se houver espaço, uma posição oficial.

“Vamos rever uma posição oficial, mas a posição de Cabo Verde é não entrar em posições fracturantes, neste momento, dado que os outros países, como Angola, Brasil, Portugal e Moçambique são os grandes blocos de países em termos de volume da população e do próprio volume de investimento à Comunidade dos Países Língua Portuguesa”, acentuou.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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