Cabo Verde está preparado para combater a dengue – directora nacional da Saúde

Cidade da Praia, 08 Nov (Inforpress) – A directora nacional da Saúde, Ângela Gomes, garantiu hoje, na cidade da Praia, que Cabo Verde está preparado para combater eficazmente uma eventual epidemia de dengue e pediu vigilância e colaboração da população.

Ângela Gomes deu esta garantia em conferência de imprensa para falar sobre a detecção dos dois casos de dengue autóctones no concelho da Praia, confirmados hoje pelo Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP).

Aquela responsável comunicou ainda que a delegacia de saúde já se encontra no terreno para fazer toda a investigação, rastrear, pulverizar e despistar novos casos e, conforme sublinhou, não foram encontrados novos casos, pelo que apelou à serenidade da população.

“Até o momento, o quadro é bastante controlável. Temos insumos consumíveis, equipamentos e materiais em nível nacional, além da disponibilidade de testes. Podemos considerar que estamos preparados para oferecer uma resposta eficaz à dengue com a colaboração de todos (…). A detecção e resposta atempada a estes casos demonstram que o país está em alerta e preparado para este tipo de evento”, assegurou Ângela Gomes.

No entanto, avisou que o alerta é geral, uma vez que o mosquito tem uma predominância “muito domiciliar”, pelo que apelou, mais uma vez, à colaboração de todos para eliminar qualquer foco de mosquitos e notificar a delegacia de saúde caso surgir um foco que não esteja ao alcance da população para que seja dado o devido tratamento.

Conforme recordou a directora nacional da Saúde, no dia 03 de Novembro o Serviço de Vigilância de Respostas Integradas às Doenças na Direcção Nacional da Saúde recebeu a notificação de seis casos suspeitos de dengue, a partir do Banco de Urgência do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN).

No dia 06, houve a confirmação laboratorial, através de teste PCR, de dois casos de dengue pelo Instituto Pasteur de Dakar, tendo assegurado que todos os pacientes estavam clinicamente estáveis e já tiveram alta hospitalar.

“Até agora, o total dos seis casos suspeitos notificados pelo HUAN, todos do concelho da Praia, três foram enviadas ao Instituto Pasteur de Dakar para confirmação, no qual dois deram positivo, e um caso não foi nem confirmado e nem descartado e, quando é assim, é tratado como um caso”, declarou sublinhando que os outros três casos ainda estão pendentes.

Ângela Gomes informou, igualmente, que o Ministério da Saúde, através da Direcção Nacional da Saúde, já emitiu orientações técnicas a todas as estruturas de saúde do país, nomeadamente as delegacias, os centros de saúde, público e privado, no sentido de ficarem atentos na detecção dos casos e implementação dos protocolos vigentes.

Ainda como medida, apontou, a equipa técnica do Ministério da Saúde já criou um grupo de trabalho para actualização do plano de contingência que contempla quatro eixos: controlo vetorial, vigilância epidemiológica entomológica, gestão de casos, comunicação de risco e envolvimento comunitário.

Entre outras medidas, o Ministério da Saúde recomenda a população a manter fora e os arredores das casas limpas, recolher pneus, garrafas e outros recipientes, participar na limpeza das valas desobstruindo-as, cobrir os depósitos onde se conserva água como barril, tanques de agricultura, de construção e poços.

A nível intradomiciliar sugere a eliminação de reservatórios de água parada onde se reproduzem insectos vetores e no tocante a protecção individual recomenda o uso de roupas cumpridas e uso de repelentes, caso for necessário.

Cabo Verde foi fustigado pela epidemia da dengue em 2009 com registos que apontaram para 21.383 casos suspeitos, com evolução de 174 para febre hemorrágica e seis óbitos. 

De Janeiro a Junho de 2010, o país registou 305 casos da dengue, sendo os concelhos da Praia e São Filipe os que mais casos afectados. 

Em 2016 o país voltou a registar em finais de Dezembro de 2016 até Fevereiro de 2017, 23 casos de dengue. 

Em Cabo Verde existem duas espécies de mosquitos transmissores de doenças, designadamente o Anoppeles gambiae – vector do paludismo –, e o Aedes Egypti – vector da dengue, febre-amarela, chikungunya.

TC/CP

Inforpress/Fim

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