Brava: Voluntário da Cruz Vermelha pede aos voluntários e a sociedade em geral para reflectirem sobre suas acções (c/áudio)

Nova Sintra, 08 Mai (Inforpress) – O voluntário da Cruz Vermelha Francisco Almeida é natural de Santa Catarina (Santiago), mas por motivos profissionais encontra-se na Brava e, com a situação pelo que passa o mundo, dedica maior parte do tempo a cuidar dos outros.

Em entrevista à Inforpress, Francisco Almeida contou que desde o início do estado de emergência no País colocou-se ao serviço das entidades locais para praticar o voluntariado e até agora é o que tem feito.

E é neste sentido que pede aos voluntários, independentemente se é da Cruz Vermelha ou de outra instituição, que tenham sempre em mente que ser voluntário é uma “missão nobre”.

“Depois do início do estado de emergência nacional, como voluntário do corpo voluntariado nacional, hoje extinto, estive durante 15 dias com a câmara municipal e a delegação escolar na distribuição das cestas básicas em toda a ilha Brava”, contou o voluntário, que depois foi solicitado pela Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV) para apoiar e cuidar das pessoas idosas que não têm alguém em casa para lhes dar a atenção necessária.

Segundo o mesmo, decidiu abraçar esta causa e apoiar uma idosa de 90 anos, que reside somente com o filho, mas que este “faz o que pode e sabe mediante as suas possibilidades”, só que “não corresponde a 100 por cento (%) daquilo que são as necessidades desta senhora na sua faixa etária.

Contou que todos os dias vai à casa desta idosa por volta das 09:00 e regressa às 16:00 e que, durante este período, prepara as refeições, pelo menos cinco refeições diárias, ajuda-a a fazer a higiene pessoal, limpa a casa, lava roupa e faz “tudo o que é necessário” para mantê-la num ambiente “adequado e agradável”.

“Nós conversamos, dançamos, fazemos caminhada e tudo o que for adequado para a sua idade e que ela consegue fazer”, elencou Francisco Almeida, acrescentando que está a ser uma “óptima experiência”, considerando a idosa uma avó que ganhou na Brava.

Para cuidar dos idosos, este voluntário considera que a formação “é necessária”, tanto para os familiares como para os voluntários, no sentido de saberem lidar com as dificuldades e limitações de cada um.

Pois, acentuou que a partir de “uma certa idade é a mesma coisa que ter bebes e crianças em casa”, e que dependendo do estado da memória, precisam de muito apoio.

Francisco Almeida chamou a atenção das pessoas, salientando que muitas vezes há pessoas que morrem por falta de afecto e carinho.

O voluntário lamenta o facto de “muitos darem mais importância aos bens materiais”, relembrando que pela situação vivida no mundo devido à pandemia do novo coronavírus, “muitas pessoas às vezes nem são colocadas num caixão ao morrerem”.

Aos voluntários, considera que todos deveriam apresentar o seu tempo, mesmo que seja 30 minutos, a fazer a diferença, porque com este tempo, ao chegar a um centro coloca uma música e diverte os utentes, melhorando o seu dia deles.

“Seria bom reflectirmos porque a nossa vida é bela, mas é para sabermos como devemos vivê-la”, finalizou.

MC/AA

Inforpress/Fim

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