Brava: Pensionista teme passar necessidades após prestar mais de quarenta anos de serviço ao Estado

Nova Sintra, 28Abr (Inforpress) – Domingos Santiago tem hoje 65 anos e diz iniciar as suas funções públicas em Setembro de 1977 e só veio reformar em 2019, mas até ainda não viu a “cor do dinheiro” da sua pensão que lhe foi descontado durante os anos de serviço prestado ao Estado.

Em declarações à Inforpress, Domingos Santiago contou que no mês de Agosto de 2019 entregou os seus documentos necessários para a aposentadoria e em Outubro do mesmo ano completou 65  anos e foi para casa.

Explicou que logo no mês seguinte começou a receber a pensão por parte da Águabrava, mas que por serviço prestado à câmara Municipal não viu “nem sinal”.

“Estou há meses reformado, e até esta não data não recebi nenhum centavo dos anos de serviços que prestei à câmara”, afirmou o pensionista, adiantando que todos os documentos que lhe foram solicitados foram entregues.

Domingos Santiago realçou que entrou na câmara municipal a 15 de Setembro de 1977, numa altura que, conforme relembrou, o município era regido por um Delegado do Governo, e que de lá passou por todos os delegados e presidentes de câmara até esta altura.

“Já viu muitos se reformarem e a usufruir deste direito, mas a minha vez ainda não chegou”, desabafou.

Segundo o mesmo, já foi aos serviços da câmara municipal inúmeras vezes e sempre a resposta que lhe dão é que estão à espera da Administração Pública.

Face à pandemia do novo coronavírus (covid-19), Domingos Santiago teme que a sua situação não seja resolvida, porque conforme salientou, neste momento todos os serviços estão “paralisados” e é mais algum tempo de espera.

Além disso, realçou que tem vindo a enfrentar algumas “dificuldades” financeiras, tendo por sustentar a família, filhos na escola, valendo-lhe a pensão da Empresa Intermunicipal Águabrava.

“Não é grande coisa, mas dá para honrar os compromissos. Porque desde 2008 até o dia em que reformei não tive nenhum aumento salarial. Usufruía de um salário líquido de 27 mil e poucos escudos e agora é 80 por cento (%) deste valor que recebo”, disse a mesma fonte.

“Já venho sofrendo há algum tempo, agora com a pandemia nem se fala, porque qual é o comerciante que vai fornecer géneros alimentícios para ficar à espera do pagamento por seis ou mais meses?” questionou.

Contactada, a responsável dos Recursos Humanos da câmara municipal, Cíntia da Rosa, disse que possuem conhecimento desta situação, mas que o desembaraço já não é do alcance da autarquia, mas da Administração Pública e sempre informaram o indivíduo em causa sobre o desenrolar do processo.

Ademais, adiantou que há processos do tipo que às vezes duram mais de ano para serem resolvidos.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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