Boa Vista: Vacas devastam propriedades agrícolas e destroem máquinas dessalinizadoras em Povoação Velha

Sal Rei, 25 Out (Inforpress) – Os agricultores da localidade de Povoação Velha dizem-se agastados com a invasão de vacas às suas propriedades, denunciado que os animais devastam campos agrícolas e destroem tanques e equipamentos de dessalinizadora de água.

Segundo o representante dos agricultores da localidade de Povoação Velha, Henrique Cruz, a devastação das propriedades agrícolas pelos animais vem de longa data e está a criar dificuldades à população, que tem no campo a única fonte de sustento das famílias.

“Os agricultores estão agastados com a situação”, denunciou Henrique Cruz, que é também presidente da Associação Varandinha.

“O objectivo dos agricultores, quando chove, é tentar tirar todo o proveito da agricultura. Por isso, estavam à espera que nesta altura do ano pudessem estar já a coletar o feijão, bongolon e melânica”, esclareceu.

O agricultou lamentou, entretanto, que este ano, mais uma vez, os agricultores não conseguem disfrutar das colheitas agrícolas devido a invasão dos campos por cerca de 60 vacas, oriundas de vários pontos da ilha e que estão  a dar cabo da produção de vários produtos.

“Mais do que isso, estão a subir em cima dos tanques de borracha que temos para reservar água, e danificam os sensores que mandam informações para dessalinização de água. O que quer dizer que a presença das vacas na Povoação Velha está a atingir duas áreas de agricultura, uma área de sequeiro e outra de regadio”, informou.

Conforme contou Henrique Cruz, os agricultores já enviaram uma nota a Câmara Municipal da Boa Vista e à Delegação do Ministério de Agricultura que, sublinhou, “foi claro, pedindo aos agricultores que seguissem o código de postura municipal, neste caso capturar os animais”.

“Os agricultores daquela localidade estão sem caminho, e sem vislumbrar quais as soluções para este problema”, lamentou o representante dos agricultores.

A orientação que os agricultores receberam das autoridades competentes é que passem a multar os donos dos animais que invadem terreno alheio.

Henrique Cruz entende, porém, que a primeira solução passa pela tomada de consciência dos agricultores de que “comprar vacas e novilhas, para depois as abandonar em campo alheio, não é bom negócio”.

“Isto é inconcebível em qualquer parte do mundo”, asseverou, indicando que os agricultores chegaram à conclusão de que uma das alternativas passa por “apanhar as vacas,  aos poucos,  e consumir a carne, doa a quem doer”.

Para Henrique Cruz ou se resolve o assunto desta forma, ou entidades têm que criar condições para criar um curral entre Estância de Baixo ou Rabil, onde as pessoas possam criar os seus animais.

Por outro lado, o agricultor é de opinião de que há necessidade de sinergias por parte da câmara, da delegação do ministério e Sociedade do Desenvolvimento Turístico da Boa Vista e Maio (SDTBM), isto porque,  segundo justificou, já chegaram à conclusão de que as vacas na zona de areia já criaram um caminho que poderá ser perigoso até mesmo para os roteiros turísticos que passam em excursões de motos naquela zona.

Henrique Cruz avisou que, após um prazo que será dado aos criadores de animais na localidade de Rabil e caso não se resolver a situação, vão começar a capturar os animais, cujas carnes serão distribuídas a instituições ou a famílias de Povoação Velha.

VD/JMV

Inforpress

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