Boa Vista: Presidente da Plataforma diz que filhos de emigrantes da costa ocidental africana “integram-se bem” na ilha

Sal Rei, 16 Jun (Inforpress) – O presidente da Plataforma da Comunidade Africana Residente na ilha de Boa Vista (PCA), Mamasamba Enbalo disse hoje que os filhos de emigrantes da costa ocidental africana na ilha de Boa Vista, “de uma maneira geral estão bem integrados”.

Mamasamba Enbalo fez estas considerações em declarações à Inforpress por ocasião da celebração do Dia da Criança Africana (16 de Junho), tendo realçado, no entanto, que a primeira dificuldade de integração dos filhos e crianças de pais naturais da costa ocidental africana está, na maioria das vezes, em obter a documentação, seja em termos de residência ou passaporte cabo-verdiano.

Isto porque, conforme explica, quando os pais têm dificuldade em conseguir obter os documentos ou quando os mesmos estejam expirados, acaba por afetar na obtenção de nacionalidade para os filhos “e há consequentes problemas na matrícula escolar”.

Entretanto, observa também que “existe uma situação, que considera lamentável” e que do seu ponto de vista tem que ser resolvida com urgência”.

Conforme conta, “o facto de uma criança nascer em Cabo Verde, não lhe dá direito a nacionalidade cabo-verdiana, mas sim à residência”.

Entretanto, prossegue, se os pais não têm residência a situação torna-se mais difícil, isso porque os filhos conseguem a legalização através dos pais que, no entanto, enfrentam dificuldades em obter e renovar documentos no país.

Apesar dessas “peripécias” Mamasamba Enbalo considera que, de forma geral, no que diz respeito à saúde e educação, “as crianças se integram bem e há uma certa recepção e ajuda neste sentido”.

Segundo este dirigente associativo, “não obstante algum preconceito, considerado até certo ponto normal, não existe nenhuma queixa grave ou relevante por parte dos pais”.

Conforme disse, no que diz respeito à educação poderá surgir um ou outro problema na aprendizagem, tendo em conta os que alguns falam inglês ou francês, mas como a maioria é da Guiné-Bissau, “a integração neste sentido é mais fácil, por causa da língua portuguesa em comum”.

“Não temos razões de queixa e pelas informações que recebemos a comunidade residente está em pé de igualdade com os naturais nesse aspecto”, disse MamaSamba.

Por outro lado, explicou que no que se refere à ocupação destas crianças, caso não conseguirem ingressar na escola, devido ao insucesso, ou depois de concluírem os estudos, “isto acontece em número reduzido”.

Ao mesmo tempo manifestou a sua compreensão dado à vulnerabilidade do país, mas sublinhou o facto de alguns emigrantes terem dificuldade ou não conseguem mesmo pagar o jardim aos filhos, isso tendo em conta que atualmente na ilha de Boa Vista os jardins são privados.

Por outro lado, disse que no que se refere “aos mais crescidos”, quando se deparam em situação de bloqueio em prosseguir os estudos, acabam por fazer algum trabalho no sentido de ajudar os pais financeiramente, ou até mesmo nos trabalhos domésticos.

Mas sublinha que “isto não é em grande número”, e sobretudo “não contempla trabalhos de risco, ou exploratórios”.

Mamasamba Enbalo fez questão de sublinhar que, de uma forma geral, a integração dos emigrantes e das comunidades africanas “é boa” e enfatiza mostrando como exemplo que isso é notório “no casamento entre membros das comunidades e os cabo-verdianos”.

Mas repete que os africanos têm em comum a dificuldade em obter documentos, e que é urgente rever a lei em termos de direitos, afirmando que “a integração começa na legalidade”.

Por seu turno, a directora da Escola Secundária de Boa Vista, Eloisa Melo, partilha a mesma opinião defendida pelo dirigente da Plataforma, realçando que os alunos provenientes das comunidades africanas “integram-se bem”, apesar de haver algum entrave na aprendizagem para os que falam inglês e francês.

“Para aqueles que fizeram o ensino básico aqui em Cabo Verde a dificuldade é menor. Tal como acontece com qualquer aluno, há uns que conseguem avançar com sucesso, e há outros que têm alguma dificuldade”, explica Eloisa Melo.

Entretanto, conforme indicou, não obstante algum preconceito que possa surgir, “estão sempre atentos a este tipo de incidentes e que tentam trabalhar para resolve-los ou então minimiza-los apostando na sensibilização”.

Aproveitando a ocasião, a diretora da Escola Secundaria de Boa Vista deixa a mensagem no sentido de “todos respeitarem a máxima: Somos todos diferentes e todos iguais”, cada um com a sua inspiração (…), “há que respeitar as culturas diferentes”, enfatizou.

VD/FP

Inforpress/Fim

 

 

 

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