“Aumento de 36,6 % dos salários dos professores é absolutamente incomportável e devastador para a economia” – ministro

Cidade da Praia, 22 Nov (Inforpress) – O ministro da Educação disse hoje que o pedido de aumento de 36,6 % dos salários dos professores é “absolutamente incomportável e devastador” para economia nacional, sublinhando que “não há nenhum” país e governo que aguente este aumento.

“Se todas as classes pedirem esse aumento de 36,6 %, não há país que aguente, pois não é somente em Cabo Verde, não há nenhum governo que aguente um aumento salarial de 36,6%, nem de professores e nem de uma outra classe profissional”, afirmou Amadeu Cruz.

O ministro reagia em conferência de imprensa, no final da manhã hoje, no Palácio do Governo, na Cidade da Praia, durante o início de dois dias de greve dos professores em todas as ilhas, promovida pelos sindicatos que representam a classe docente.

Amadeu Cruz assegurou que o Governo respeita o direito à greve dos professores e deseja que a mesma decorra dentro do “espírito democrático, num clima pacífico e sem incidentes”, mas que esta proposta de aumento salarial de 36,6 % teria um impacto orçamental fixo superior a 2,25 milhões de contos por ano.

“O pedido de um aumento da base salarial de 78.67 escudos para 107.471 escudos, o que significa um aumento dos salários absolutamente incomportável para a economia nacional, na ordem dos 36,6% dos salários dos professores. Esta proposta de aumento salarial teria um impacto orçamental fixo superior a 2,25 milhões de contos por ano e que teria também efeitos colaterais principalmente do lado da tributação e da inflação”, precisou.

Disse que os sindicatos e os professores precisam compreender que o país “pode não estar em condições de aguentar um aumento salarial desta percentagem”, lembrando que cerca de 7.000 professores estão no activo.

Ao ser instado pelos jornalistas sobre como fica o sistema de ensino com essas greves e caso os professores persistirem em continuar essa luta, o ministro respondeu que o sistema educativo no país tem que funcionar, pois os alunos estão na centralidade e que o Governo tem que garantir o funcionamento das escolas numa situação normal, salientando que a greve é um princípio normal e que nem a sociedade cabo-verdiana compreenderia uma radicalização tão “extensiva” dos sindicatos.

A mesma fonte sublinhou que o Governo tem a disponibilidade de avaliar a proposta dos sindicatos e professores no quadro de revisão do estatuto da carreira docente e de tabela remuneratória dos mesmos

“Nesse quadro vamos ver a solução que melhor serve os interesses desses professores, para que haja de facto aumento rendimentos líquidos dos professores, mas que ao mesmo tempo que seja uma solução duradoura, sustentável que não coloca em causa a instabilidade do país”, frisou.

“O Governo vai implementar aqueles compromissos que já assumimos designadamente a resolução de todas as pendências, sobretudo a reclassificação dos professores”, acrescentou.

Amadeu Cruz disse que o Governo estará disponível para voltar a dialogar com os professores e sindicatos assim que terminar ou se suspenderem a greve, para analisarem a melhor proposta de ajustamento salarial, que deve estar em linha com a tabela remuneratória da Administração Pública.

DG/AA

Inforpress/Fim

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