ANCV assinala dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e a sua Abolição com mesa redonda e exposição

Cidade da Praia, 22 Ago (Inforpress) –  O Arquivo Nacional de Cabo Verde (ANCV) assinala esta sexta-feira, 23, o Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e a sua Abolição com uma mesa redonda e exposição.

Com o tema “A escravatura e o Tráfico de Escravos na história de Cabo Verde”, esta mesa redonda, segundo o conservador do ANCV, José Maria Borges Tavares, traz investigadores nacionais e internacionais para fazerem uma reflexão sobre esse fenómeno e as suas consequências.

“O arquivo tem nos seus armazéns um conjunto de documentos referentes à história de Cabo Verde e de mais países, portanto, com este acto pretendemos dar a conhecer todo o documento existente e marcar a data com essa mesa redonda que contaremos com a presença de investigadores nacionais e internacionais”, disse.

Vão estar sobre a mesa de debates temas como “As consequências da escravatura para África” pelo professor Lourenço Gomes, da Universidade de Cabo Verde, “Tráfico de escravos, novos desafios, novas respostas: que papel à sociedade civil” com o arquitecto Emanuel Furtado da Associação para o Desenvolvimento Humano e Social em África (Sunrise4 Africa).

Ainda, o investigador brasileiro Cândido Domingues, que fez um trabalho sobre a escravatura em Cabo Verde, vai abordar o tema “Tráfico, escravidão e liberdade: fontes e possibilidades de investimento no Arquivo Nacional de Cabo Verde”, enquanto a técnica da ANCV Cláudia Correia falará sobre “Segredo dos Arquivos: cartas dos serviçais em São Tomé e Príncipe”.

Paralelamente a mesa redonda, a ANCV faz a reposição da exposição “A escravatura e a abolição do tráfico negreiro em Cabo Verde: Uma memória documental” que estará patente de 23 a 31, na sala de exposições temporárias do ANCV.

“Trata-se de uma mostra parcial da vasta documentação sobre o tráfico negreiro em Cabo Verde, emanada durante o período colonial com a qual o ANCV pretende contar a história do tráfico e da escravatura em Cabo Verde, desde os primórdios até a sua erradicação nas ilhas”, salientou.

A exposição estará organizada em dez secções temáticas, designadamente “ O tráfico e a escravatura: Breve Historial”, “ O tráfico e a escravidão em Cabo Verde, realçando a inserção da cidade de Ribeira Grande na rota internacional dos escravos e o seu importante papel no comércio triangular de escravos”, “As revoltas de escravos”, “ A extinção global da escravatura”, “A abolição da escravatura em Cabo Verde”, “Documentos que reportam o período escravocrata na ilha de Santiago e no concelho da Praia em particular”, entre outros.

Os documentos patentes nesta explosão foram seleccionados do Boletim Oficial da Província de Cabo Verde (1842-1974), dos fundos arquivísticos da Conservatória do Registo Civil de algumas ilhas, da Secretária Geral do Governo: documentação avulsa (1803-1927) e livros de registo (1674-1954), bem como do acervo do Museu de Documentos Especiais do ANCV.

O Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição tem lugar a 23 de Agosto.

Foi escolhido o dia 23 para a celebração em referência à noite de 22 para 23 de Agosto de 1791, quando escravos de São Domingos se revoltaram contra o sistema de escravidão, dando lugar à Independência do Haiti.

O acontecimento foi um ponto de viragem na história humana, tendo um grande impacto no estabelecimento dos direitos humanos.

O Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição funciona como uma homenagem às vítimas de escravidão e à sua luta.

Este dia foi adoptado pela Unesco através da Resolução 29 C/40, sendo celebrado anualmente desde 1998. A Unesco divulga todos os anos uma mensagem em memória deste dia e faz um convite aos governos e às organizações para aumentarem os seus esforços de reconciliação e para compartilharem as suas iniciativas.

Essa comemoração traz consigo a oportunidade para as pessoas conscientizarem -se desse problema e reflectirem sobre os preconceitos raciais que surgiram com a escravidão, que desde 2001 é reconhecida internacionalmente como crime contra a humanidade, tal como o tráfico de escravos.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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