Aluguer da Fast Ferry vai trazer problemas para nova companhia – Administrador Luís Viula

Cidade da Praia, 01 Jul (Inforpress) – O aluguer dos navios da Cabo Verde Fast Ferry por um período superior a seis meses vai trazer “problemas” para a recém-criada companhia dos transportes marítimos, Cabo Verde Inter-Ilhas, disse hoje o administrador, Luís Viula.

Ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na qualidade de representante da Polaris, detentora de 9% dos 49% das acções da nova empresa, detidas pelos armadores nacionais, Luís Viula informou que a proposta que a parte cabo-verdiana tinha apresentado ao Governo é de um afretamento por um período não superior a seis mês de um dos navios da Fast Ferry.

“Nós demos esse tempo para o Governo para resolver a questão dessa companhia porque nós temos a consciência que são navios limitados, não são navios adequados para os nossos mares. É uma preocupação de todos os armadores nacionais. Nós desde o início não aderimos ao projecto e a nossa opinião é que a Fast Ferry vai continuar a trazer problemas para a nova companhia”, sustentou.

Luís Viula foi escolhido recentemente para representar os armadores nacionais no conselho de administração da Cabo Verde Inter-Ilhas e a sua primeira reunião, enquanto membro do conselho, aconteceu na passada quinta-feira.

Por isso mesmo, adiantou durante a audição que não tem muitas informações sobre a questão do cumprimento do caderno de encargos por parte da vencedora do concurso dos transportes marítimos realizado pelo Governo, a Transinsular.

A garantia que os armadores nacionais têm do Governo de Cabo Verde, indicou é que o caderno de encargo vai ser cumprido com rigor.

O executivo estabeleceu um período de transição de dois anos e nesse período devem ser colocados cinco navios com até 15 anos de existência, em operações.

Um primeiro barco devia chegar em Cabo Verde em Agosto, mas, segundo adiantou Luís Viula, pelas poucas informações que dispõe neste momento, poderá haver atrasos.

“Nós estamos curiosos de saber quais as características do primeiro navio que a campanha irá trazer para termos realmente alguma ponderação e decisão em relação às aquisições”, disse.

Nessa fase de transição, a Cabo Verde Inter-Ilhas deverá trabalhar com os navios da Polares e do Fast Ferry em regime de aluguer.

“Os Navios da Polares já iniciaram as operações e a minha opinião pessoal é que a CV Fast Ferry não foi e não será boa aquisição e não será uma boa alternativa para os transportes marítimos em Cabo Verde. Portanto se estamos a procurar uma alternativa boa para a nossa marinha não deverá passar pela fast ferry”, realçou.

Durante a manhã de hoje foi ouvido também Antunio Barbosa, na qualidade de júri da segunda fase do concurso para concessão dos transportes marítimos. Este esclareceu, entretanto, que apenas participou das negociações e igualmente apresentou a opinião de que os navios Fast Ferry não se apresentam como alternativa para resolver os problemas dos transportes de passageiros e cargas em Cabo Verde, pelo que a solução deverá passar pela aquisição de novos navios.

Em Outubro de 2018, o Governo anunciou que o grupo português Transinsular venceu o concurso público internacional para a gestão e exploração do serviço público de transporte marítimo de passageiros e carga entre as ilhas de Cabo Verde.

Em Março deste ano, o Governo e a Transinsular assinaram o contrato de concessão do serviço público de transporte marítimo de passageiro e carga.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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