Agência Inforpress associa-se ao Arquivo Nacional para criação do seu Centro de Documentação

Cidade da Praia, 31 Out (Inforpress) – A Agência Cabo-verdiana de Notícias (Inforpress) e o Instituto do Arquivo Nacional de Cabo Verde firmaram hoje um protocolo para a criação do Centro de Documentação da Agência, para disponibilização do seu acervo, que remonta a 1974.

Após o acto de assinatura, na Cidade da Praia, o administrador único da Inforpress, Hamilton Jair Fernandes, precisou que a agencia de notícias tem na sua posse um acervo fotográfico e documental “sumamente importante” do ponto de vista histórico e identitário da instituição e do País, e que se encontram em estado de degradação.

Daí surge, segundo a mesma fonte, a ideia de capitalizar o arquivo da Inforpress como um nicho de negócio.

“(…) Não estamos a ver o arquivo daqui da Inforpress apenas no seu sentido preservacionista, mas também por que não criar aqui um ecossistema que possa ser capaz de permitir a sustentabilidade da agência, e, nada melhor do que aliar-se a um grande parceiro que saiba fazer e trabalhar na preservação documental, e não só”, explicou.

A ideia, ajuntou Hamilton Jair Fernandes, consiste em montar, juntamente com o Arquivo Nacional e parceiros como a Cooperação Portuguesa, um projecto para criação de um centro de documentação da Agência Inforpress e colocá-la ao dispor do grande público, porque, tendo em conta o carácter científico e académico do acervo, pode vir a dar um contributo para o desenvolvimento do País.

“Trata-se de documentos históricos que podem e servem para o conhecimento efectivo da história recente de Cabo Verde no seu todo, mas especificamente do sector da comunicação social, porque grande parte do que temos aqui é a herança do antigo Voz do Povo, e por outro lado estaremos a potencializar um nicho de negócio sendo que o próprio Plano de Negócio da Inforpress indica o tratamento do arquivo e a sua disponibilização para aquisição”, sustentou o administrador.

Para tal concretização, vincou, a Inforpress vai indigitar uma equipa para desenvolver um plano de trabalho, ressalvando que o primeiro passo é a organização do arquivo documental da Inforpress, tendo em conta a necessidade de fazer o tratamento das imagens.

Indicou que se trata de “um acervo gigante”, incluindo fotografias e negativos, que ainda precisam ser digitalizados.

Mencionou que até o momento foram digitalizadas cerca de quatro mil imagens, o que representa menos de 20 por cento (%) do total de imagens que a agência possui.

Para além do tratamento deste acervo, o protocolo prevê outras actividades e projectos, que, segundo Hamilton Jair Fernandes, a Inforpress estará em condições de materializar nos próximos tempos.

Por seu lado, o presidente do Instituto do Arquivo Nacional de Cabo Verde (IANCV), José Maria Borges, reconheceu a importância do tratamento e da gestão da informação produzida pela Inforpress, bem como essa aliança entre ambas as instituições para que o acervo da agência se perdure no tempo.

Nesta senda, informou que ainda este ano o Arquivo Nacional vai construir um laboratório de distinção de fotografias históricas e negativos de fotografia, em parceria com uma instituição das Canárias, permitindo a digitalização e preservação das mesmas.

Após a sua inauguração, precisou José Maria Borges, o laboratório será colocado à disposição da Inforpress.

“O arquivo está disponível também para trabalhar noutras dimensões que o protocolo prevê, nomeadamente realizações de seminários, palestras e também beber da experiência da instituição de Inforpress para ajudar o arquivo a fazer o trabalho de comunicação do seu acervo e do património que alberga”, acrescentou o presidente do IANCV.

Solicitou também a Inforpress a se associar ao Seminário Internacional sobre Arquivo e Memória da Imprensa Colonial Cabo-verdiana e Africana a suceder nos dias 07 e 08 de Dezembro, organizado pelo IANCV, em parceria com um grupo internacional.

O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Lourenço Lopes, que presidiu o acto, frisou que esta cooperação entre Inforpress e IANCV constitui um exemplo para o país, tendo em conta o contexto que o mundo e Cabo Verde atravessam.

“Estamos aqui a falar de uma área importante que tem a ver com preservação da memória e documentação, e isto nos permite dizer e reafirmar que um País é a sua História e a sua memória colectiva”, concretizou salientando a importância deste arquivo para gerações futuras.

TC/AA

Inforpress/Fim

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