Acolhimento das crianças dos pais dependentes do álcool tem sido um dos grandes desafios – director das Aldeias Infantis SOS (c/áudio)

Assomada, 04 Out (Inforpress) – O director das Aldeias Infantis SOS Cabo Verde, Dionísio Pereira, disse hoje que o acolhimento das crianças, cujos pais são dependentes do álcool tem sido um dos grandes desafios daquela instituição que completou hoje 35 anos de existência.

Este responsável falava à imprensa, à margem das comemorações dos 35 anos das Aldeias Infantis SOS Cabo Verde, que teve como palco a primeira Aldeia Infantil SOS Cabo Verde, na cidade de Assomada, Santa Catarina (Santiago).

O evento teve como uma das principais actividades a homenagem a 13 colaboradores com pelo menos 20 anos de serviço, em reconhecimento aos anos de “dedicação, comprometimento e profissionalismo” em prol da causa SOS Cabo Verde.

“Um dos grandes desafios que temos, tem sido o acolhimento das crianças, cujos pais são dependentes do álcool”, afirmou Dionísio Pereira, mostrando-se convicto que a entrada da nova lei do álcool a partir deste sábado, 05, vai ajudar sobremaneira o trabalho que esta organização tem feito.

A lei nº 51/IX/2019 de 08 de Abril foi elaborada no âmbito da campanha “Menos álcool, mais vida”, promovida pela Presidência da República, com o pressuposto de que o alcoolismo constitui “um importante problema social e de saúde pública”, interferindo “negativamente” na vida pessoal e social de um indivíduo.

Além de proibir a publicidade de bebidas alcoólicas, bem como a sua venda nos serviços e organismos da Administração Pública central e local, nos locais de trabalho, quiosques e outros espaços, a lei zela, também, pela prevenção da procura em espaço escolar, locais de lazer, entre outros, tendo em vista a protecção da saúde e segurança.

É que, segundo ele, a referida lei vinda da parte da iniciativa “Menos álcool, mais vida” da Presidência da República, provavelmente vai reduzir a “pressão” que é feita sobre a organização em termos de atendimento dos casos complicados que são as consequências do uso abusivo do álcool.

Questionado se a situação do álcool nos jovens internos preocupa a instituição, Dionísio Pereira disse que a situação “não é preocupante”, tendo em conta que acontece um ou outro caso, reiterando que a situação inquietante vem do lado dos seus progenitores, que aliás, lembrou, tem sido a razão que tem justificado a colocação das crianças nas Aldeias SOS.

“Portanto, é nesse sentido que vemos com muito bons olhos e com expectativa extremamente alta o impacto que esta legislação vai produzir em relação à redução que esperamos da pressão sobre a demanda dos nossos serviços”, almejou.

Na ocasião, o director nacional das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde assegurou que a organização está de “muito boa saúde”.

“A organização está de muito boa saúde, de momento, estamos com sonhos maiores de poder alcançar outras crianças e famílias com necessidades em outros pontos do país e vamos investir muito mais nos próximos tempos a nível da ‘advocacy’, fazendo com que a legislação seja ajustada para poder corresponder à visão da nossa organização”, apontou como outros projectos das Aldeias SOS para próximos tempos.

Relativamente aos jovens que vão deixar as Aldeias de Assomada e São Domingos, afirmou que estes estão com algumas competências profissionais e sociais estão em condições de enfrentar a vida fora da estrutura da instituição.

Apesar que a organização vai fazer o seguimento dos mesmos, este responsável, que está na liderança das Aldeias Infantil SOS há 25 anos, mostrou-se convicto de que estes vão com alguma margem bastante significativa de autonomia para conduzir os seus futuros.

Tendo em conta que não estão sós e, por contarem com muitos amigos, parceiros e colaboradores “competentes e muito engajados”, acredita Dionísio Pereira que a instituição “está pronta para enfrentar os próximos desafios”.

“Aproveitamos para agradecer a toda a sociedade cabo-verdiana, a todas as pessoas, a todas as instituições e entidades que ao longos de todos esses anos nos têm proporcionado muitas oportunidades de assistência e de apoios em meios materiais, orientação, aconselhamento e outros recursos, para que facto, pudéssemos hoje possam estar a apresentar resultados bastante satisfatórios e visíveis por todos”, congratulou-se.

FM/CP

Inforpress/Fim

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