ACLCVBG quer que todos intervenientes da sociedade civil tenham voz activa na luta contra VBG em Cabo Verde (c/áudio)

Cidade da Praia, 10 Jul (Inforpress) – A ACLCVBG defendeu hoje a necessidade de haver abertura do ponto de vista político para que as ONG consigam dar respostas às questões de VBG e uma intervenção forte e activa da sociedade civil na luta contra esse flagelo.

A presidente da mesa da assembleia geral da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género – ACLCVBG -, Antonieta Martins falava em declarações à imprensa, à margem da cerimónia de abertura da formação em matéria da Violência Baseada no Género (VBG), que decorrer de hoje a 12 de Julho, na Cidade da Praia.

Conforme avançou, durante três dias serão debatidos vários assuntos com destaque para as questões da problemática de género, o papel da sociedade, da masculinidade e as razões que levam com que as questões de género desencadeiam em violência e muitas vezes não ser compreendida, no subtil das relações de género.

Para esta responsável, não é possível abordar a Violência Baseada no Género sem se conhecer as questões sociais, que estão ligadas a problemática do género, realçando neste sentido, que esta acção de formação, que é aberta a todos, irá empoderar e estabelecer um espaço de esclarecimento   aos formandos participantes.

“O nosso interesse é trazer este assunto para o debate público e permitir que todos tenham uma intervenção forte e uma voz informada, porque muitas vezes a questão da VBG é contaminada de desinformação e erros na comunicação e é importante que todas as pessoas tenham uma voz activa e esclarecedora porque a sociedade precisa ser formada e orientada sobre os seus direitos e deveres”, salientou.

No entender de Antonieta Martins, só através do esclarecimento e empoderamento das pessoas é que as mesmas conseguirão reconhecer os seus direitos e lutar para a criação de uma sociedade cada vez melhor.

Segundo a presidente da mesa da assembleia-geral, a VBG tem inúmeras consequências psicossociais, nomeadamente, o atraso do desenvolvimento das sociedades, a tristeza, desagregação de certas famílias tem a ver realmente com este papel de género, ajuntando, que a imposição das normas sociais contribui com que haja diferença no tratamento das mulheres e dos homens.

“Muito cedo não conseguimos entender a diferença entre a mulher e o homem, mas como fomos educados para entender que a mulher faz isso o homem faz aquilo, acabamos sempre por aceitar e educar a sociedade e os nossos filhos nesse sentido e é esta viragem que queremos trazer”, afirmou, sublinhando que a ACLCVBG quer uma sociedade “justa” e “igualitária” onde as normas sociais “não se afiguram como um atraso para o desenvolvimento da mesma”.

Hoje em dia, conforme fez saber, as pessoas estão mais consciencializadas sobre o fenómeno da VBG, mas só que, reforçou, precisam de mais oportunidades para se informar sobre este assunto, considerando a existência das ONG que lidam com a questão de género como uma porta de entrada para essas pessoas falarem dos seus problemas.

“Queremos que haja abertura do ponto de vista político para que as ONG trabalhem e para terem recursos para poderem contribuir porque o objectivo dessas ONG é orientar as pessoas para as politicas e decisões que já existem e que foram lá colocadas para servi-las, mas que por falta de informações não sabem como lá chegar”, concluiu.

A formação em apreço é promovida pela ACLCVBG em parceria com o Departamento de Ciências de Comunicação e Trabalho Social da Universidade da Laguna e conta com o apoio da Embaixada de Espanha em Cabo Verde e visa promover reflexões e acções de prevenção e combate a problemática da VBG.

CM/FP

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos