“A violência muitas vezes é fruto da incapacidade da mulher reconhecer que ela merece mais” – Sara Sarowsky

Cidade da Praia, 25 Nov (Inforpress) – A empreendedora e fundadora do movimento “Empodera-te”, Sara Sarowsky, afirmou hoje que muitas vezes a violência com base no género (VBG) é fruto da incapacidade da mulher reconhecer que ela merece mais.

A cabo-verdiana residente em Portugal e que hoje, dia internacional para erradicação da violência contra mulheres e meninas, reuniu mulheres de vários quadrantes sociais e económicas para uma conversa sobre o empoderamento feminino no âmbito da terceira edição do ‘Empodera-te’, reconhece que na maior parte da violência contra a mulher parte do agressor, mas, por vezes, é a mulher que permite a manutenção da situação.

“Eu não tenho experiência nem como vítima de violência e nunca trabalhei nessa área, mas eu falo com pessoas. É que a mulher acha que aquilo é normal, porque ela assistiu na família, conhece alguém que apanha. Ela acha que é normal. Porque ela nunca conheceu outro tipo de amor. Ela nunca viu ou experienciou outro tipo de relação”, disse.

Sara Sarowsky afirmou que mais do que dependência económica, muitas vezes apontada pelas mulheres como a causa para manter-se numa relação abusiva, está a dependência emocional, mental ou psicológica.

“Por isso que trabalhamos todas essas áreas. A inteligência emocional, já não é suficiente. Agora é preciso a gestão emocional, para a pessoa poder gerir as suas emoções, de modo a desvincular-se, a desprender-se, a libertar-se desse domínio. Porque o agressor só bate, porque sabe que a mulher vai aceitar apanhar”, sustentou.

O objectivo, alertou, não é revidar, até porque fisicamente, anatomicamente, biologicamente os homens e as mulheres não são iguais e se a mulher agir exactamente igual ao agressor, estará a alimentar a perpetuar a violência.

Por isso mesmo, o ‘Empodera-te’ trabalha assente em quatro pilares para efectivamente empoderar as mulheres, designadamente empoderamento físico (corpo), empoderamento mental (mente), empoderamento espiritual (espírito) e empoderamento emocional (coração)”, explicou a mentora do movimento.

“Damos ferramentas que a conduzam a uma decisão. Mas antes da decisão é a consciencialização. Ela tem que ter consciência do seu valor, da sua capacidade, mas, sobretudo, das opções que ela tem. Quando ela sabe que existe outro tipo de amor, ela começa a consciencializar-se de que existe o melhor. Isso a leva a tomar uma decisão”, explicou.

Segundo a ONU Mulheres, uma em cada três mulheres em todo o mundo passa por situações de violência física ou sexual ao longo da sua vida.

“A violência contra mulheres e raparigas continua a ser uma das violações dos direitos humanos mais prevalentes e generalizadas no mundo. Globalmente, estima-se que 736 milhões de mulheres – quase uma em cada três – foram sujeitas a violência física e/ou sexual por parceiro íntimo, violência sexual por não parceiro, ou ambas, pelo menos uma vez na vida”, indica a ONU a propósito da ocasião.

Em Setembro deste ano, Sara Sarowsky foi galardoada na II Gala Mérito Migrante na categoria “Empreendedora”. O evento é promovido pela Associação Lusofonia Cultura e Cidadania (ALCC) e financiado pelo Alto Comissariado para as Migrações.

Do programa do evento da cidade da Praia, realizado na tarde de hoje, para além da sessão de abertura, que contou com a presença da primeira-dama, Débora Katisa Carvalho, foram realizadas 10 palestras, dois testemunhos, uma actuação de dança e uma de música, seguido de cocktail.

Paralelamente foi realizada uma feira para a exposição, divulgação ou promoção de negócios no feminino.

MJB/CP

Inforpress/fim

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