A dessalinização da água do mar associada à energia renovável resolve a escassez da água e da desigualdade – PR

Cidade da Praia, 22 Mar (Inforpress) – O Presidente da República acredita que a dessalinização generalizada da água do mar, associada à utilização de energia renovável, é uma solução plausível para o país resolver em simultâneo, o problema da escassez de água e da desigualdade na sua distribuição.

Jorge Carlos Fonseca fez estas considerações na sua mensagem à Nação para assinalar o Dia Mundial de Água, que se comemora hoje, tendo esclarecido que os projectos de dessalinização em curso e outros que deverão ser promovidos assumem um carácter estratégico na construção de uma sociedade justa. tal como se almeja.

“A dessalinização é, de facto, o caminho a seguir, dado que no nosso País a questão da equidade na distribuição da água assume um carácter moral, porquanto, enquanto se reconhece escassez no meio rural, há desperdício no meio urbano que interpela a nossa consciência pelo dever de solidariedade e sentido de responsabilidade perante o volume do investimento financeiro e humano feito para fazer funcionar as torneiras em cada agregado familiar”, lê-se nesta missiva.

Nesta linha de pensamento, o chefe de Estado realçou que “uma educação pela via da informação/formação do cidadão deverá resultar numa mudança de atitude que se traduza na redução substancial do desperdício da água nas cidades e suas periferias”, sublinhando que “simultaneamente, porém, deve-se proporcionar aos agricultores formação e informação de maneira a preferirem culturas outras que as de irrigação intensiva”.

Esta formação dos agricultores, que engloba também transferência de conhecimento sobre gestão da água, cita a mensagem, é crucial para que os esforços de mobilização da água e de conservação de solos tenham algum resultado tangível.

É com esta certeza que Jorge Carlos Fonseca se mostrou convicto à Nação Cabo-verdiana em como o país “saberá ultrapassar a crónica escassez da água de que padece o País circunscrito pelo Atlântico”.

O mais alto magistrado da Nação disse que “em 2010, as Nações Unidas reconheceram o saneamento e o acesso a água potável como um “direito do homem” por ser um bem-comum público, universal, essencial e insubstituível para a vida”.

Sublinhou que este reconhecimento rejeita, de forma implícita, a ideia de fazer da água um bem económico comercializável sujeito às regras do mercado e, condenando, de forma clara, a prática de utilização, em zonas de conflito, da privação da água como arma para controlar e dominar pessoas.

“Com o propósito de mobilizar as vontades, as Nações Unidas, inspirando-se do objectivo 6 do Desenvolvimento Sustentável-Agenda 2030 -, escolheu, para este ano, o lema: “ninguém ficará para trás” convidando-nos a todos a procurar alguma equidade na distribuição da água para que as pessoas que usam água imprópria para consumo venham, igualmente, usufruir desta fonte e suporte da vida em condições sanitárias de acordo com o padrão universalmente aceite”, especifica Jorge Carlos Fonseca.

Por outro lado, o chefe de Estado realçou que “a complexidade da problemática do acesso a água potável é ainda agravada pelas consequências das mudanças climáticas, responsáveis por secas muito intensas ou por chuvas torrenciais”, lamentando que “as secas que atingem regiões cada vez mais vastas, têm, naturalmente, impacto imediato tanto no consumo, como na agricultura, contribuindo, também, para a insegurança alimentar.

SR/FP

Inforpress/Fim

 

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